Ricupero: na ONU, Bolsonaro ‘afetou as perspectivas do agronegócio'

De acordo com o diplomata Rubens Ricupero, "a chave para a compreensão do discurso dele é a política doméstica brasileira. Bolsonaro é um presidente obcecado pela perda de popularidade, que já está se lançando candidato à reeleição". "Ele radicaliza o discurso para consolidar o seu apoio naquele segmento que deu a vitória a ele", avalia

Rubens Ricupero
Rubens Ricupero (Foto: Roque de Sá/Agência Senado)
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247 - Subsecretário da ONU entre 1995 e 2004, quando comandou a Conferência das Nações Unidas para Comércio e Desenvolvimento (Unctad), o diplomata Rubens Ricupero diz considerar o discurso de Jair Bolsonaro na Organização das Nações Unidas (ONU) o "mais desastroso de todos os discursos feitos pelo Brasil desde que existe o debate da Assembleia-Geral".

"Os acordos que o Mercosul tinha assinado com a União Europeia e a Área de Livre Comércio Europeu já estavam praticamente mortos. Agora, ele coloca vários pregos no caixão. Ele inviabiliza, no futuro previsível, qualquer esforço de boa vontade para apresentar esses acordos à aprovação dos diversos parlamentos europeus. Isso vai afetar muito as perspectivas do agronegócio brasileiro, da exportação do Brasil em geral", acrescentou ele em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo.

De acordo com o diplomata, "aquilo que o Brasil tinha, uma imagem positiva em meio ambiente, ele jogou fora, no lixo. Ele desperdiçou o único trunfo que o Brasil tinha". "Nós não temos poder militar, não temos bomba atômica, nem poder econômico. Mas tinha aquele prestígio da sua diplomacia proativa em matéria ambiental. Agora, nós perdemos isso. Acho que isso vai alimentar essa onda contra nós. Antes de ir a Nova York, eu achava que era difícil piorar a situação. Eu me enganei. Ele conseguiu piorar", disse.

"A chave para a compreensão do discurso dele é a política doméstica brasileira. Bolsonaro é um presidente obcecado pela perda de popularidade, que já está se lançando candidato à reeleição, e já está disputando com rivais como (o governador de São Paulo, João) Doria e outros. Ele radicaliza o discurso para consolidar o seu apoio naquele segmento que deu a vitória a ele", complementou.


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