Rui Costa Pimenta: esquerda tem que se fortalecer como polo oposto a Bolsonaro, não se mover para o centro

Em entrevista à TV 247, o presidente do PCO avalia que a insistência da esquerda em suas pautas “originais” pode não gerar efeitos eleitorais imediatos, porém, pode ter um resultado positivo a médio prazo. Para ele, as manifestações populares em países da América do Sul foram “o grande acontecimento do ano” na política. Assista

Rui Costa Pimenta
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247 - O presidente do PCO, Rui Costa Pimenta, conversou com a TV 247 sobre o comportamento da esquerda diante do fascismo e analisou que há uma aproximação da esquerda com o centro. Segundo ele, esta aproximação é um movimento da esquerda que se destina à direita. Rui aponta como melhor estratégia para o campo progressista neste momento fortalecer o antagonismo em relação à direita.

“Há uma polarização, e a esquerda, de um modo geral, teria que adotar uma posição diante da polarização. A posição diante da polarização seria fortalecer o polo oposto ao da direita. No entanto, a esquerda procura realizar, no momento em que a situação do centro é uma situação de desmoronamento e de colapso, um movimento para o centro, que é um movimento da esquerda para direita”, disse Rui.

Para o presidente do PCO, por vezes o movimento de aproximação da esquerda ao centro chega a já flertar com a política direitista, como por exemplo o voto favorável ao pacote anticrime do ministro da Justiça, Sérgio Moro. “Em certas coisas é um movimento que vai além do centro. Por exemplo, votar no pacote anticrime do Moro já é uma política muito aproximada da política da extrema-direita. É um erro estratégico, mas eu acho que tem mais coisa acontecendo”.

Rui afirma que que, apesar de possivelmente não render frutos eleitorais imediatos, a permanência da esquerda com suas pautas “originais” pode gerar resultados a médio prazo. “Está claro que há uma forte tendência no interior da esquerda de se dirigir à direita, se aproximando do centro. Eles tendem a ignorar a possibilidade maior que seria explorar a polarização em favor da esquerda, ou seja, acentuar o polo de esquerda, que é um polo capaz de aglutinar as amplas massas. Pode ser que não dê um resultado eleitoral imediato, mas eleição é uma caixinha de surpresas. Daria um resultado a médio prazo”.

Fazendo uma avaliação de 2019, Rui Costa Pimenta classificou as manifestações dos povos da América Latina, com Chile e Bolívia, como “acontecimento do ano”. “Eu acho que os povos dos países vizinhos salvaram o ano. Se fosse uma contabilidade econômica, a gente ia terminar em uma falência política total e eles teriam recuperado muito desse retrocesso generalizado da política popular em relação à política da direita. Foi o grande acontecimento do ano”.

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