Sakamoto: 62% dos jovens querem ir embora. Até por que o Brasil deseja matá-los

O jornalista Leonardo Sakamoto destaca que desejo dos jovens em deixar o país não está atrelado apenas a questões como escolaridade ou o desejo de uma vida melhor; a violência, diz ele, tem influenciado esta percepção; Somos um povo que, para construir um futuro melhor, vai matando seu próprio futuro. O mais triste é que, quando percebermos essa contradição e sua natureza, já será tarde demais", finaliza

homicídio
homicídio (Foto: Paulo Emílio)

247 - Quando 62% dos jovens entre 16 e 24 anos de um país desejam mudar-se para outro lugar, pode-se dizer que o futuro desistiu. Mas o futuro não desiste tão facilmente. Ainda mais porque estamos falando de jovens, o grupo social que alimenta a ideia de que o dia seguinte será melhor. Para chegar a essa situação, portanto, houve um esforço amplo e duradouro. O futuro desistiu do Brasil por que o Brasil desistiu do seu futuro muito antes. E não se trata aqui apenas de garantir emprego decente e educação de qualidade. Mas de respeito à vida e proteção dos níveis mais básicos de dignidade", diz o jornalista Leonardo Sakamoto em seu blog.

"De acordo com o Atlas da Violência 2018, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, sobre dados do Ministério da Saúde, de 2006 a 2016, 324.967 jovens entre 15 e 29 anos morreram de forma violenta, observa. 

"Muitas dessas mortes ocorrem na forma de pacotes, em chacinas, nas periferias das grandes cidades brasileiras, seja pelas mãos do tráfico, de milícias ou de integrantes da própria polícia. Não raro, elas permanecem sem solução. Não é que a nossa sociedade não consegue apontar e condenar culpados por todas como deveria. Ela não faz questão. Pelo contrário, não raro apoiam formas de ''limpeza social'' do que chamam de ''pessoal perigoso''. E que ameaçam os ''cidadão de bem'' pagadores de impostos. Somos um povo que, para construir um futuro melhor, vai matando seu próprio futuro. O mais triste é que, quando percebermos essa contradição e sua natureza, já será tarde demais", finaliza, 

Veja a íntegra da análise no Blog do Sakamoto

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