Sônia Guajajara: indígenas precisam de medidas específicas contra a Covid-19 para evitar outro genocídio

Uma das principais lideranças indígenas do País, Sônia Guajajara explica que os povos originários têm um hábito de vida comunitário e muito mais próximo do que o resto da população brasileira, facilitando, portanto, a propagação do coronavírus. Assista na TV 247

Sônia Guajajara e indígenas
Sônia Guajajara e indígenas (Foto: Divulgação | REUTERS/Ricardo Moraes)
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247 -  A coordenadora executiva da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), Sônia Guajajara, disse à TV 247 que medidas específicas devem ser tomadas pela Funai e pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI) para combater o avanço do novo coronavírus entre os indígenas.

Ela explicou que, pelo modo de vida desses povos, a testagem e as medidas de prevenção devem ser pensadas de forma mais específica, com o objetivo de frear a propagação do vírus e evitar mais um genocídio causado por doença. “Essa subnotificação é bem preocupante porque se as pessoas não têm acesso ao testes, não têm como confirmar se estão ou não contaminadas, vão só aumentar cada vez mais essa proliferação e vai crescer com muito mais intensidade do que nas outras pessoas. A gente tem um modo de vida comunitário, compartilhado, que facilita muito mais a propagação. Se a pessoa está com os sintomas mas não está testado, não adianta porque as pessoas não vão ter esses cuidados, não vão ficar no isolamento”. 

“A gente tem esse hábito de compartilhar cuia, de compartilhar cachimbo, são rodas de conversa, dormir junto nas casas que são de um cômodo ou dois cômodos e todo mundo dorme ali sempre muito próximo. Então esse modo de vida comunitário dos povos indígenas tem que ser considerado nesse momento e medidas específicas têm que ser tomadas para que a gente evite outro genocídio. Já temos um histórico muito forte e doído de extermínio de povos e culturas que foi provocado por outras epidemias”, completou.

Inscreva-se na TV 247 e assista à entrevista na íntegra:

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