Tereza Cruvinel: Bolsonaro vai apenas reinventar o fisiologismo e a corrupção

A jornalista Tereza Cruvinel analisa a composição do governo Bolsonaro e afirma que "Onyx Lorenzoini defende uma forma nova de fisiologismo, que teria o aval do chefe, e é considerada inconstitucional por 9 entre 10 juristas: o governo libera emendas orçamentárias para apoiadores e seus nomes passam a figurar nas placas das obras realizadas com os recursos que empenharam"; para ela, "Vai ficando claro que Bolsonaro vai apenas reinventar o modelo que aponta como responsável pelas mazelas da política, como o fisiologismo e a corrupção"

Tereza Cruvinel: Bolsonaro vai apenas reinventar o fisiologismo e a corrupção
Tereza Cruvinel: Bolsonaro vai apenas reinventar o fisiologismo e a corrupção

247 - Em artigo, a jornalista Tereza Cruvinel analisa a constituição do governo Bolsonaro e afirma que, "aos poucos começa a parecer que o 'toma lá, dá cá', renegado pelo presidente eleito Jair Bolsonaro, não será banido como ele prometeu, mas reciclado".

Ela aponta que "Onyx Lorenzoini defende uma forma nova de fisiologismo, que teria o aval do chefe, e é considerada inconstitucional por 9 entre 10 juristas: o governo libera emendas orçamentárias para apoiadores e seus nomes passam a figurar nas placas das obras realizadas com os recursos que empenharam. Isso dá voto".

"Todo dia tem novidade sobre como será o relacionamento entre Executivo e Legislativo, num quadro de suposto desafio ao presidencialismo de coalizão, o regime em que, desde FHC, o governo é compartilhado pelos partidos que integram sua aliança de apoio". 

Ela salienta: "Vai ficando claro que Bolsonaro vai apenas reinventar o modelo que aponta como responsável pelas mazelas da política, como o fisiologismo e a corrupção". "E o fará porque, com nosso sistema partidário fragmentado, não há como escapar". 

Cruvinel diz que "a lorota da negociação direta com frentes parlamentares temáticas serviu-lhe para alijar os partidos do primeiro escalão (embora DEM, MDB e PSL lá estejam representados), mas não servirá para governar". 

A jornalista indica o fisiologismo presente nas relações. "Estão na praça os novos discursos para o 'mais do mesmo' transfigurado. O PR diz que será da base do governo mas discutirá as matérias caso a caso. O PSDB diz que apoiará todas aquelas que se identificarem com a agenda tucana. O MDB jura que não indicou o futuro ministro Osmar Terra e que não pedirá cargos ao governo, garantindo porém apoio ao que for do interesse do país. Para todos eles, melhor o segundo escalão que a estepe fria da oposição". 
 
"A inscrição dos nomes de parlamentares nas placas de obras derivadas de emendas – que mesmo sendo de liberação imperativa podem ser contingenciadas pelo governo – é tão imoral quanto o velho fisiologismo. É o Planalto dizendo o seguinte: 'vote com o governo e fature junto a seus eleitores'.
 

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