TSE rejeita dados que permitem identificar disparos em massa de fake news pelo WhatsApp

Ministro Og Fernandes, corregedor do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ignorou documentos do WhatsApp que permitiriam identificar os autores de disparos em massa nas eleições de 2018. Dados estão em posse da CPI das Fake News no Congresso Nacional e no TRE

Ministro Og Fernandes
Ministro Og Fernandes (Foto: Roberto Jayme/Ascom/TSE)
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Rede Brasil Atual - O corregedor do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Og Fernandes, decidiu ignorar documentos do WhatsApp que permitiriam identificar os autores de disparos em massa nas eleições de 2018. Esses dados estão em posse da CPI das Fake News no Congresso Nacional e no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) em São Paulo.

A CPI identificou 24 linhas celulares que foram responsáveis pela maior parte dos disparos em massa durante o período eleitoral. No entento, segundo o corregedor, a investigação estaria em fase “prematura”, faltando perícia da Polícia Federal (PF) nesta lista.

Essas 24 linhas fazem parte de um conjunto de 400 mil que foram banidas, segundo o WhatsApp, por uso irregular durante a eleição. Deste total, 55 mil tinham comportamento semelhante ao de robôs. São linhas com números dos Estados Unidos, Vietnã, Inglaterra e Brasil, mas operadas de dentro do Brasil.

Financiado ilegalmente por empresários com recursos não declarados (caixa 2), o esquema teria beneficiado a candidatura do atual presidente Jair Bolsonaro. Essas contas compartilhavam notícias falsas para atacar o adversário Fernando Haddad.

A ação no TSE investiga, justamente, o eventual abuso de poder econômico durante o pleito. Desde 2015, a legislação eleitoral brasileira proíbe empresários de fazer doações para campanhas políticas.

Cinco meses após pedido do PT, a juntada desse material, contudo, poderia atrasar o julgamento da ação, segundo o ministro corregedor. Em entrevista ao portal UOL, a advogada de Jair Bolsonaro, Karina Kufa, negou a participação do presidente no esquema.

Confissões

Em vídeo postado nas redes sociais ainda durante a campanha para o primeiro turno das eleições de 2018, os empresários Luciano Hang, dono das lojas Havan, e Mário Gazin, também proprietário de uma rede varejista que leva seu sobrenome, confessam o crime de caixa 2. Naquele momento, eles pediam votos para Bolsonaro, “pra não ficar todo mundo gastando para o segundo turno”, segundo Gazin.

Não se sabe o destino dos referidos recursos, mas Hang é um dos investigados no inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o uso de fake news contra ministros do próprio Supremo. Da mesma forma, seria a continuidade da utilização do sistema de disparos que começou a operar antes, e também durante, a campanha eleitoral.

Ademais, o espanhol Luis Novoa, dono da empresa Enviawhatsapps, confirmou que empresários brasileiros contrataram programa de sua agência para fazer disparos de mensagens em favor de Bolsonaro (PSL). Em gravação divulgada pelo jornal Folha de S.Paulo, em junho de 2019, ele alega que só foi descobrir o uso político quando algumas linhas telefônicas utilizadas passaram a ser cortadas pelo aplicativo de mensagens.

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