Virologista alerta: ter anticorpos não significa estar imune à Covid-19

Um dos principais especialistas em coronavírus do país, o professor de virologia Eurico Arruda diz que o vírus pode ficar “escondido”, mesmo após um paciente se recuperar da infecção, e alerta que o fim do isolamento social e a reabertura da economia poderá resultar em um "pandemônio"

Imagem de computador criada pela Nexu Science Communication, em conjunto com o Trinity College, em Dublin, mostra um modelo estruturalmente representativo de um betacoronavírus, que é o tipo de vírus vinculado ao COVID-19, mais conhecido como coronavírus ligado ao surto de Wuhan.
Imagem de computador criada pela Nexu Science Communication, em conjunto com o Trinity College, em Dublin, mostra um modelo estruturalmente representativo de um betacoronavírus, que é o tipo de vírus vinculado ao COVID-19, mais conhecido como coronavírus ligado ao surto de Wuhan. (Foto: NEXU Science Communication/via REUTERS)
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247 - O professor de virologia da Faculdade de Medicina da USP em Ribeirão Preto Eurico Arruda, considerado um dos principais especialistas em coronavírus do país, alerta que apresentar anticorpos não significa que a pessoa está imune à Covid-19. Segundo  Arruda, somente uma vacina – provavelmente produzida com o vírus inativado – poderá resultar em uma possível imunidade contra o novo coronavírus. 

“A ideia de passaporte de imunidade com base em testes de anticorpos não só é descabida por não ter base científica, quanto é perigosa. Os testes dizem apenas que uma pessoa tem anticorpos. Mas ter anticorpos não é o mesmo que possuir defesas e estar imune. A resposta imune é complexa, e envolve outros componentes além de anticorpos. O ‘passaporte’ colocará pessoas infectadas nas ruas para passar o vírus livremente”, disse Arruda em entrevista ao jornal O Globo

Segundo ele, “o anticorpo é uma cicatriz sorológica, não é um atestado de imunidade. Ele é uma marca da exposição ao vírus presente no soro sanguíneo. A presença de anticorpos diz que uma pessoa foi exposta ao vírus e produziu uma resposta a isso. Mas isso não significa que ficou imune, pois a resposta pode não ser forte ou duradoura o suficiente, e tampouco que ela deixou de ser portadora do vírus”.

O virologista alerta, ainda outros coronavírus podem provocar persistência, permanecendo “escondido”, mesmo após um paciente infectado se recuperar da infecção. “O que pode acontecer é que o sistema imunológico debelou parcialmente o vírus, mas não o derrotou de vez. Por alguma fraqueza, ele voltou a causar sintomas ou a se replicar, ainda que a pessoa esteja assintomática”, explica. 

Para ele, “as pessoas estão brincando com o fogo”. “No Brasil estamos muito mal. O governo e as empresas falam em retomada da economia justamente no momento mais crítico da epidemia. O resultado será um pandemônio. Se até aqui tivemos alguma redução de curvas de crescimento, foi graças ao distanciamento social, e reduzi-lo dará ao coronavírus um passe livre. O vírus vai bater na porta das casas e das empresas”, avalia. 

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