Brasil pode assumir a humilhante liderança mundial em óbitos, escreve Drauzio Varella

247 - No auge da maior crise sanitária do último século, assistimos à negação da realidade pelas autoridades federais, escreve o Dr. Drauzio Varella, um dos mais importantes cancerologistas do Brasil.

"Fui otimista quando ouvi falar da epidemia que se espalhava na região de Wuhan, na China". [...] "Fui entender a gravidade da Covid-19 nos primeiros dias de fevereiro, quando colegas italianos começaram a enviar vídeos que mostravam o inferno instalado nas unidades de terapia intensiva daquele país.

"Cientistas de renome e especialistas em saúde pública se enganaram como eu, entre os quais recipientes do Nobel de Medicina e o doutor Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas, o NIAID, dos Estados Unidos, cuja carreira acompanho desde o início da epidemia de Aids".

"Na verdade, o mundo não foi capaz de avaliar o perigo que vinha da Ásia. A Europa foi pega de surpresa".

"Os Estados Unidos - que investem em saúde perto de 20% do maior PIB do mundo - assistiram à chegada do coronavírus em Nova York, com hospitais sem leitos suficientes nem máscaras cirúrgicas para atender à demanda dos profissionais de saúde. Para disfarçar a incompetência em adotar medidas antecipatórias, hoje o presidente americano joga a culpa na Organização Mundial da Saúde".

Em seguida, o célebre cancerologista comenta a situação no Brasil. "O drama dos hospitais superlotados no Norte do país, Rio de Janeiro, Fortaleza e Recife será repetido em outras capitais e em cidades menores à medida que a epidemia se interioriza". 

"Décadas de descaso com a saúde inviabilizaram a agilidade das respostas, para enfrentar o desafio de impedir que o Brasil assuma a humilhante liderança mundial na contagem do número de óbitos". 

"No auge da maior crise sanitária dos últimos cem anos, assistimos à inacreditável negação da realidade por parte das autoridades federais" [...] "Inexplicavelmente, o governo se exime até de reconhecer a gravidade do mal que aflige todos".

"O Brasil caiu numa armadilha sinistra. Duas trocas de ministros numa fase crucial da disseminação da epidemia mantêm o Ministério da Saúde de mãos atadas há mais de um mês, enquanto o presidente faz o diabo para acabar com o isolamento social e impor um medicamento inútil, com efeitos colaterais eventualmente graves", conclui. 

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