Para historiador, escravidão explica tragédia da Covid-19 no Brasil e nos EUA

A partir de um traço comum na formação histórica dos dois países, a "forte presença da escravidão", o professor explica "a mortalidade desproporcional" causada pela Covid-19 no Brasil e nos Estados Unidos

Sidney Chalhoub
Sidney Chalhoub (Foto: REUTERS/Amanda Perobelli | Reprodução)
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Um dos mais importantes historiadores brasileiros, Sidney Chalhoub recorda, em entrevista à TV 247, as semelhanças entre Brasil e Estados Unidos, escancaradas pela pandemia da Covid-19.  

Autor de cinco obras fundamentais sobre escravidão e abolicionismo, desde 2015 em Harvard, uma das mais importantes universidades do planeta, o professor sublinha não apenas a proximidade das ideias de Donald Trump e Jair Bolsonaro.

A partir de um traço comum na formação histórica dos dois países, a  "forte presença da escravidão", o professor explica "a mortalidade desproporcional" assumida pela Covid-19 no Brasil e nos Estados Unidos neste início de século XXI.

Apoiado em consistente pesquisa sobre as  desigualdades que marcam os dois países, Chaloub retrata um traço peculiar da história brasileira, que ajuda a explicar a tragédia de 2020.  

Depois de retratar o cotidiano de epidemias -- em particular de febre amarela -- que iam e voltavam das grandes cidades brasileiras ao longo do século XIX, ele recorda que as primeiras medidas de higiene e saúde pública tiveram um curioso traço original, pois nasceram num período histórico preciso.

Quando a abolição da escravatura se mostrou inevitável, a elite brasileira passou a cultivar um projeto racista de branqueamento da população, subsidiando a imigração de trabalhadores europeus que seriam chamados a ocupar o lugar da mão de obra escrava, que seria marginalizada e excluída.

Nesta nova conjuntura, o país promoveu reformas urbanas e mesmo campanhas de vacinação que, mesmo capazes de trazer produzir benefícios inegáveis, como a erradicação da febre amarela, integravam um programa de preservação da desigualdade e da exclusão social, que permanecem até hoje, alimentando a tragédia dolorosa de nossos dias.

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