CPI da Covid prova que governo Bolsonaro trabalha a favor do vírus, diz presidente do CNS

"A tese de que o governo trabalha a favor do vírus está cada vez mais comprovada", diz o presidente do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Fernando Pigatto, sobre as revelações da CPI da Covid

Fernando Zasso Pigatto e CPI da Covid
Fernando Zasso Pigatto e CPI da Covid (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado | Leopoldo Silva/Agência Senado)
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Rede Brasil Atual - De acordo com o presidente do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Fernando Pigatto, os trabalhos da CPI da Covid revelam que o governo Bolsonaro negou a compra antecipada das vacinas CoronaVac e da Pfizer. Em vez de correr atrás dos imunizantes, preferiu apostar na distribuição em massa da cloroquina e da hidroxicloroquina, acreditando na chamada teoria da “imunidade de rebanho”. Além disso, promove aglomerações e desestimula o uso de máscaras. Ao mesmo tempo, confronta estados e municípios que adotam medidas restritivas para conter a disseminação da covid-19.

“A tese de que o governo trabalha a favor do vírus está cada vez mais comprovada” afirmou Pigatto, em entrevista a Marilu Cabañas, para o Jornal Brasil Atual nesta sexta-feira (28). “É um governo propositalmente genocida. Eles continuam fazendo com que as pessoas adoeçam e morram”, acrescentou.

Em meio a elevação paulatina do número de casos, o CSN insiste na necessidade da adoção de lockdown nacional de 21 dias. Para isso, contudo, reivindicam a ampliação do auxílio emergencial de R$ 600, como forma de garantir a sobrevivência das famílias. São esses os termos da ação que a entidade apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) no mês passado, que aguarda julgamento.

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Ministério Paralelo

Além de recusar vacinas, a CPI da Covid também revelou que o “ministério paralelo” que orienta Bolsonaro se reuniu 24 vezes durante a pandemia. De acordo com documentos apresentados pela Casa Civil, fariam parte desse grupo o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), o deputado federal Osmar Terra (MDB-RS), o assessor especial da Presidência Tercio Arnaud, o ex-secretário de Comunicação Fábio Wajngarten e a médica Nise Yamaguchi. Esta última presta depoimento à Comissão na próxima terça-feira (1º).

“Em vez de dar atenção àquilo que o CNS e demais entidades de saúde sempre apontaram, decidiram fazer um ministério paralelo. Preconizam medicamentos que não tem comprovação científica para o enfrentamento da covid-19. E acreditam na tese da imunidade de rebanho”, criticou Pigatto.

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Omissão

Ele também comentou a mais recente ação movida por Bolsonaro no STF contra medidas restritivas no Paraná, Pernambuco e Rio Grande do Norte. “Fica evidente que o governo federal se descompromete das suas responsabilidades, fazendo discurso para a sua própria base.” Sobre a decisão da prefeitura de Guarulhos solicitando o fechamento temporário do aeroporto internacional para conter a chegada da variante identificada na Índia, Pigatto disse que medidas como essa estão sendo tomadas tardiamente. Além dos seis casos confirmados entre tripulantes de um navio cargueiro na costa do Maranhão, dois outros casos foram registrados, um em Minas Gerais e outro no Rio de Janeiro. Ambos, entretanto, vindos do exterior, desembarcaram no aeroporto de Guarulhos.

29M

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Diante de tudo isso, Pigatto defende a participação no ato contra o governo Bolsonaro neste sábado (29), como forma de manifestar “a nossa revolta e indignação”. Mas alerta que é preciso estar atento a todos os cuidados requeridos, como o uso de máscaras e distanciamento entre as pessoas. “É a forma que a gente tem de mostrar que não dá mais.”

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