Brasil é como fênix e vai renascer das cinzas, diz ex-guerrilheira que sequestrou avião e encantou Fidel Castro

A professora, escritora e ex-guerrilheira Marília Guimarães falou sobre a Lava Jato e a conexão direta da operação com os interesses norte-americanos no Brasil. Ela disse que o Brasil é um país de golpes, mas que é como fênix: sempre faz renascer o espírito democrático

A ex-guerrilheira Marília Guimarães
A ex-guerrilheira Marília Guimarães (Foto: Reprodução)
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247 - O povo brasileiro tem características parecidas com o povo cubano, pois é solidário, criativo e humanizado. Quem diz isso é a escritora Marília Guimarães, a ex-guerrilheira - ou ‘eterna guerrilheira’, como ela gosta de dizer - que desafiou a brutalidade genocida dos militares brasileiros dos anos 70, sequestrou um avião com seus dois filhos pequenos e saiu do Brasil para se exilar em Cuba, conquistando a admiração de Fidel Castro. 

Em entrevista a Gustavo Conde, Marília relata toda a sua saga de iniciação nos movimentos de luta armada contra a ditadura militar e sua dedicação à conquista da democracia. 

Ela diz que a tragédia provocada pela Lava Jato e pelo golpe de 2016 faz acumular uma energia social poderosa, que a qualquer momento pode ser liberada através da autonomia de julgamento e observação silenciosa do povo trabalhador brasileiro. 

Autora do livro “Habitando o Tempo: Clandestinidade, Sequestro e Exílio”, um relato de sua ação no sequestro do avião Caravalle da Companhia Cruzeiro do Sul em 1970, disponibilizado gratuitamente por ela para os ‘aquarentenados’ da pandemia, ela revela que os EUA sempre estiveram no encalço dos governos Lula e Dilma, tentando impedir desde o início o sucesso dos programas de inclusão social e de geração de riqueza e tecnologia. 

Ela publicou um artigo no livro Relações Indecentes, que revela os bastidores da Lava Jato. Lá, ela diz que “o golpe de 2016 se consolida dentro de uma das maiores farsas da história recente do Brasil. Delações, prisões, quebra do desenvolvimento do Projeto de Nação, desmonte do Estado brasileiro como dominó em final de jogo. Assim como, parafraseando o filósofo Marx: “A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”, na sua obra O 18 Brumário de Luís Bonaparte, em análise do golpe de Estado na França engendrado por Luís Napoleão Bonaparte, sobrinho de Napoleão.

Marília prossegue: “todos saem às ruas. Panelas tilintam nas janelas da classe média, tão favorecida. A cada manifestação consolidamos as palavras de ordem. Corrupção, segurança!!! Grupos de ação e combate contratados, vestindo camisa verde e amarela, esvaziam as manifestações legítimas retirando das avenidas professores, estudantes, metalúrgicos, comerciários através de confrontos violentos.”

E, finalmente, questiona: “por onde andava a Abin – serviço de inteligência nacional? Onde andava a inteligência da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, guardiães da pátria, que não combateram o alastramento da Igreja Evangélica, num novo formato criado na década de 70 que se autodenomina neopentecostalismo e se alastra pela América Latina e África, por todos os lados entorpecendo e roubando descaradamente os desavisados? A instalação do crime organizado no Brasil? Que andavam fazendo que não viram o golpe entrando porta adentro no Planalto quando o procurador-geral da República Rodrigo Janot definiu o grampo no telefone da presidenta Dilma Rousseff como "normal" informal com o ex-presidente Lula? Estávamos dando uma reviravolta ao passado. Onde andavam que não vislumbraram os novos sócios da mídia nacional trabalhando incansáveis na manipulação da notícia?”

Assista a entrevista com Marília Guimarães: 

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