Oscar 2020: confira os discursos e manifestações políticas que marcaram a premiação

A noite do Oscar foi marcada por várias mensagens e manifestações em defesa das minorias pelo mundo. A equipe de Democracia em Vertigem, pediu justiça para o caso Marielle Franco. Julia Reichert, co-diretora do Indústria Americana (American Factory), disse: "trabalhadores e operários têm uma vida cada vez mais difícil"

Equipe do Democracia em Vertigem protesta no Oscar
Equipe do Democracia em Vertigem protesta no Oscar (Foto: Reprodução/Instagram)

Do Brasil de Fato - Protestos políticos e discursos em defesas das minorias ocuparam o tapete vermelho do Oscar 2020, que aconteceu em Hollywood, na noite deste domingo (9). Com direito a boné do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), a equipe do documentário Democracia em Vertigem, de Petra Costa, não deixou escapar a oportunidade de defender a democracia na noite mais aguardada do cinema internacional. 

Acompanhados da líder indígena Sônia Guajajara, o grupo  levantou cartazes em defesa da Amazônia e dos povos indígenas. Eles também lembraram os 697 dias de impunidade no caso Marielle Franco, vereadora pelo PSOL-RJ assassinada em março de 2018. Outra mensagem deixada no saguão do Oscar reforçava a necessidade de resistir ao neofascismo que avança em diversos países.

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O tom político também esteve presente no discurso de Julia Reichert, co-diretora do Indústria Americana (American Factory), vencedor da categoria de melhor documentário.

"Nosso filme é de Ohio, mas também da China, e poderia ser de qualquer lugar onde as pessoas vestem um uniforme e vão trabalhar para trazer uma vida melhor para sua família. Trabalhadores e operários têm uma vida cada vez mais difícil. E nós acreditamos que a vida vai melhorar quando os trabalhadores do mundo se unirem", disse Reichert, no palco da cerimônia.

A fala repercutiu nas redes sociais de forma ampla e remete à frase “Trabalhadores do mundo, uni-vos!”, de Karl Marx. 

As desigualdades da sociedade de classes também foram ecoadas pelo filme Parasita, dos coreanos Bong Joon-Ho e Han Jin Won, a grande estrela da noite. O longa sul-coreano retrata a história da família de Ki-taek, que vive em um porão sujo e apertado, e começa a trabalhar para uma família rica.

Parasita concorreu em mais de 10 categorias recebeu as principais premiações da noite. Além melhor filme e melhor filme estrangeiro, o longa também foi premiado com melhor roteiro original, melhor direção e melhor filme estrangeiro.

Representatividade 

A ausência de mulheres e pessoas negras também foi motivo de críticas à academia hollywoodiana, a começar pelos próprios apresentadores, Chris Rock e Steve Martin. E não é por menos: A única atriz negra indicada nas categorias de atuação foi Cynthia Erivo.

A mesma crítica esteve presente no discurso de agradecimento da produtora Karen Rupert Toliver e do diretor Matthew A. Cherry, que produziram o curta Hair Love. A obra levou o prêmio de melhor curta de animação. 

“A representação importa profundamente. Queremos ter mais representatividade na animação. Precisamos normalizar o cabelo negro”, defendeu Toliver. 

Já Natalie Portman trouxe à tona a desigualdade de gênero histórica em premiações como o Oscar. Para entrar no tapete vermelho, a atriz usou uma capa onde o nome de diretoras que não foram indicadas ao Oscar estavam bordados. Apenas cineastas homens foram indicados ao prêmio de melhor diretor neste ano.

"Eu queria reconhecer as mulheres que foram ignoradas pelos seus trabalhos incríveis esse ano", declarou Portman aos jornalistas assim que chegou ao Teatro Dolby, em Los Angeles, onde ocorreu a cerimônia.

Entre as diretoras homenageadas estava Lorene Scarfaria (As Golpistas), Lulu Wang (A Despedida), Greta Gerwig (Adoráveis Mulheres), Mati Diop (Atlantique), Marielle Heller (Um Lindo Dia na Vizinhança), Melina Matsoukas (Queen & Slim), Alma Har'el (Honey Boy) e Céline Sciamma (Retrato de uma Jovem em Chamas). 

Como era esperado, Joaquin Phoenix levou para casa a estatueta dourada por sua atuação em Coringa. O ator interpreta o vilão da DC no longa dirigido por Todd Phillips. Ao receber o prêmio, Phoenix afirmou que ele e os colegas devem "usar a voz em favor daqueles que não têm voz". 

"Quando estamos falando sobre desigualdades e racismo, estamos falando da luta contra a injustiça, a luta contra a noção de que um povo, uma nação, uma raça, um gênero, ou uma espécie tem o poder de dominar a outra", disse Phoenix. 

Ele já havia feito uma crítica no mesmo tom ao levar o prêmio Bafta, da Academia de Cinema Britânica, na mesma categoria. 

“Estou profundamente agradecido. Mas também devo dizer que me sinto em conflito, porque muitos dos meus colegas atores que também merecem [o prêmio] não têm o mesmo privilégio. Acho que lançamos uma mensagem muito clara às pessoas negras: que vocês não são bem-vindos aqui. Essa é a mensagem que estamos enviando às pessoas que tanto contribuíram para o nosso meio e a nossa indústria, fazendo coisas das quais nos beneficiamos”, afirmou na ocasião.

Conhecido pela defesa do meio ambiente e dos animais, o intérprete de Coringa também discursou em defesa de mudanças de hábito por um mundo mais sustentável no Oscar 2020. 

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