DJs e artistas da noite fazem manifesto pela democracia

"Em 1964 e nas duas décadas seguintes o mundo das letras e das artes, mesmo sofrendo repressão e censura, não se calou diante da arbitrariedade e da barbárie. Hoje continuamos afastando de nós e de todos esse cálice. Como durante a ditadura nós intelectuais, escritoras, escritores e artistas dizemos não ao golpe e afirmamos nossa defesa intransigente da democracia", diz o texto; Portanto, nós, Disc Jokeys (DJs), produtores musicais, bandas, performers, promoters de eventos culturais e trabalhadores da musica, staff de clubs e amantes da cultura musical de qualidade, nos somamos a luta pela Democracia"

"Em 1964 e nas duas décadas seguintes o mundo das letras e das artes, mesmo sofrendo repressão e censura, não se calou diante da arbitrariedade e da barbárie. Hoje continuamos afastando de nós e de todos esse cálice. Como durante a ditadura nós intelectuais, escritoras, escritores e artistas dizemos não ao golpe e afirmamos nossa defesa intransigente da democracia", diz o texto; Portanto, nós, Disc Jokeys (DJs), produtores musicais, bandas, performers, promoters de eventos culturais e trabalhadores da musica, staff de clubs e amantes da cultura musical de qualidade, nos somamos a luta pela Democracia"
"Em 1964 e nas duas décadas seguintes o mundo das letras e das artes, mesmo sofrendo repressão e censura, não se calou diante da arbitrariedade e da barbárie. Hoje continuamos afastando de nós e de todos esse cálice. Como durante a ditadura nós intelectuais, escritoras, escritores e artistas dizemos não ao golpe e afirmamos nossa defesa intransigente da democracia", diz o texto; Portanto, nós, Disc Jokeys (DJs), produtores musicais, bandas, performers, promoters de eventos culturais e trabalhadores da musica, staff de clubs e amantes da cultura musical de qualidade, nos somamos a luta pela Democracia" (Foto: Leonardo Attuch)

MANIFESTO ARTISTAS DA NOITE, DJs, PRODUTORES MUSICAIS, BANDAS, PRODUTORES EVENTOS e STAFF em DEFESA DA DEMOCRACIA E LEGALIDADE 

Mais uma vez na história, forças que não aceitam avanços sociais e a extensão de direitos e oportunidades às camadas mais pobres da sociedade brasileira tentam se apossar do Estado à força, pisoteando a Constituição e a democracia.

Parlamentares repetidas vezes citados em documentos e delações por crimes gravíssimos contra o patrimônio público, sob a liderança de um Presidente da Câmara declarado réu em um processo no Supremo Tribunal Federal por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, vão votar a interrupção do mandato de uma presidenta da República contra a qual não existe nenhuma investigação em curso, violando a Constituição que não prevê impeachment na ausência de crime de responsabilidade.O envolvimento de políticos em exercício e ex-políticos de todos os partidos em graves denúncias de corrupção está sendo investigado de forma descaradamente seletiva, o que configura um uso partidário e não isonômico do Poder Judiciário e da Polícia Federal. Aliado a isso, assistimos todos os dias a uma cobertura abertamente parcial, controlada e autocensurada da situação política atual e dos eventos judiciais a ela atrelados por parte de empresas de comunicação que concentram há décadas a propriedade da grande maioria dos meios de comunicação do país, os mesmos conglomerados que estiveram entre os protagonistas do golpe militar de 1964 e apoiam organicamente a ditadura que este implantou.

Esse cenário de sequestro de instituições centrais da democracia liberal como o Poder Judiciário, a Polícia Federal e os meios de comunicação por determinadas forças políticas com o objetivo de derrubar sem bases legais um governo eleito pelo povo e assumir o poder sem legitimidade tem um único nome: tentativa de golpe de estado.Uma tentativa que é suportada pela alimentação incessante de um clima de ódio; de violência verbal, física, psicológica e institucional e de discriminação abertamente declarada contra sujeitos individuais e coletivos que manifestam ideias e posições políticas progressistas, com a conivência da grande mídia oligopolista, de setores empresariais e de parte do Poder Judiciário. Temos plena consciência de que muitos atores sociais – mulheres, negros, povos indígenas, trabalhadores sem-terra, trabalhadores sem-teto, habitantes das periferias urbanas, pessoas LGBT, entre outros – vivem diariamente há décadas uma realidade de falta absoluta de democracia, de não-vigência dos princípios básicos do estado de direito. Nunca deixamos de denunciar essas injustiças e acreditamos que a extensão dessa situação a potencialmente todas as pessoas que defendem causas progressistas, e que exercem sua cidadania lutando por elas nos mais diversos âmbitos, represente um inadmissível ataque ao mínimo de direitos sociais e de liberdades democráticas conquistados com o suor e o sangue de inteiras gerações.

Também sabemos que um impeachment sem bases legais não representaria apenas a derrubada inconstitucional de um governo democraticamente eleito, mas a implementação de um programa político e econômico não legitimado pelo povo que visa desconstruir as – ainda incipientes e insuficientes – conquistas sociais da última década pela eliminação de direitos trabalhistas historicamente conquistados, a precarização extrema das relações de emprego, a redução dos gastos sociais e a interrupção de programas de redistribuição de renda, o fim de políticas afirmativas de promoção dos direitos das minorias, entre outros pontos.

Em toda a riqueza e diversidade interna daquelas e aqueles que assinam este manifesto, muitos não apoiam politicamente o governo da presidenta Dilma Rousseff e defendem que mude de rumo nas políticas econômicas, que atualmente penalizam os mais pobres, e que enfrente os setores conservadores do Congresso colocando em pauta reformas estruturais indispensáveis. Mas todas e todos nos opomos com firmeza à derrocada inconstitucional deste governo, cientes de que no atual momento histórico ser contra o impeachment sem bases legais não é sinônimo de defender um governo, mas a democracia e o estado de direito.

Em 1964 e nas duas décadas seguintes o mundo das letras e das artes, mesmo sofrendo repressão e censura, não se calou diante da arbitrariedade e da barbárie. Hoje continuamos afastando de nós e de todos esse cálice. Como durante a ditadura nós intelectuais, escritoras, escritores e artistas dizemos não ao golpe e afirmamos nossa defesa intransigente da democracia.

Portanto, nós, Disc Jokeys ( DJs ) , produtores musicais, bandas , performers , promoters de eventos culturais e trabalhadores da musica, staff de clubs e amantes da cultura musical de qualidade, nos somamos a luta pela Democracia.

Brasil , Abril 2016

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