Especial 22: Tarsila do Amaral

Pintora chegou da Europa especialmente para a Semana de Arte Moderna de 1922, que completa 90 anos essa semana

Especial 22: Tarsila do Amaral
Especial 22: Tarsila do Amaral (Foto: Divulgação)

Lucas Reginato _247 - Tarsila do Amaral viajou para a França em 1920 para estudar artes plásticas em Paris. Aos 34 anos, frequentava academias conceituadas na Europa e já começava a ter algumas de suas obras expostas em galerias quando ficou sabendo, em junho de 1922, da Semana de Arte Moderna que aconteceria no Teatro Municipal de São Paulo.

Foi Anita Malfatti quem avisou a amiga. As duas se conheceram quando Tarsila residia na capital paulista, e as convergências ideológicas concretizaram uma parceria essencial para a história da arte brasileira.

Quando voltou ao Brasil, festas, reuniões e eventos começaram a fazer parte da agenda da pintora que, na mesma época, começou seu relacionamento com Oswald de Andrade, um dos mais influentes artistas da época. Os três mais Mário de Andrade e Menotti del Picchia integraram o “grupo dos 5” – agitadores culturais no cenário brasileiro de então.

Suas obras de maior sucesso foram posteriores à 22. No ano seguinte, ela pintou A Negra, influenciada pelo cubismo que predominava na Europa e alguns amigos como o pintor Fernand Léger. Já nesse quadro, é possível ver a sobreposição da brasilidade, em primeiro plano representada na figura da negra, sobre o fundo cubista, em diálogo completamente modernista.

Sua tela de maior sucesso foi feita em 1928, sobre a influência do Manifesto Antropófago de Oswald de Andrade. O Abapuru, nome em tupi que significa “homem que come gente”, é hoje a tela brasileira mais bem avaliada, em cerca de US$ 1,5 milhão.

Após seu rompimento com Oswald de Andrade, Tarsila esteve expôs sua arte na União Soviética, e passou a conhecer melhor o que o Partido Comunista pregava. Chegou a ser presa, em 1932, por frequentar reuniões do partido em São Paulo, e pintou o quadro Operários em 1933.

Consagrada no Brasil e no exterior, Tarsila do Amaral passou o resto de sua vida viajando pelo mundo e apresentado sua obra ao público. Diversas mostras foram feitas em sua homenagem mesmo antes de seu falecimento, em 1973, e hoje ela é reverenciada não só por especialistas e a sua fama extrapola qualquer galeria de arte no mundo. Atualmente uma mostra foi montada no Rio de Janeiro especialmente para homenageá-la – a exposição Tarsila do Amaral - Percurso Afetivo está em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil.

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