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Cultura

Silvio Tendler: ‘Se a gente não lutasse, o mundo seria muito pior’

O cineasta dos sonhos interrompidos, Silvio Tendler ganhou esse apelido por contar histórias de personagens essenciais, mas que não conseguiram completar suas obras

Silvio Tendler (Foto: RBA)
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247 - Por Cláudia Motta, da RBA - Cineasta e documentarista premiado, Silvio Tendler tem uma carreira de sucesso no cinema brasileiro e reconhecimento internacional. Tanto que seus filmes estarão em mostra a ser exibida pela TVT todos os sábados, às 21h, até dia 19 de dezembro. O primeiro, neste dia 7, é Marighella – Retrato Falado do Guerrilheiro, sobre a trajetória do “professor, deputado (eleito pelo PCB em 1945), romântico e, acima de tudo, do homem Marighella”, conforme descreve a produtora Caliban.

“Verdadeiro retratista da situação política recente, da história brasileira e do que ainda está por vir.” Assim o jornalista Juca Kfouri anunciou a participação de Silvio Tendler, no Entre Vistas, da TVT.

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“Comecei em 1968 filmando com o Almirante Negro João Cândido Felisberto. É meu filme inconcluso”, lembra o cineasta de 70 anos. “Época da ditadura brava, tive problemas políticos e a pessoa que ficou com os negativos ficou com medo e queimou. Fui o último cineasta a entrevistar o João Cândido. E dessa história restou uma foto, uma dor, e uma vontade muito grande de contar essa história do Brasil para não ser esquecida.”

Silvio Tendler viveu no Chile de Salvador Allende, em Portugal da Revolução dos Cravos. Conta histórias como a dos presidentes Juscelino Kubitscheck e João Goulart, do político e líder guerrilheiro Carlos Marighella, do poeta Castro Alves, do médico e ativista do combate à fome Josué de Castro, do geógrafo Milton Santos, do cineasta Glauber Rocha e tantas outras. “Todo esse material estará na TVT. Acho que eu e o público da TVT merecemos isso.”

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O cineasta dos sonhos interrompidos, Silvio Tendler ganhou esse apelido justamente por contar histórias como essas, de personagens essenciais à trajetória do Brasil, mas que não conseguiram completar suas obras.

Além de Juca Kfouri, o documentarista respondeu a perguntas de convidadas. A cineasta Tata Amaral, diretora de Um Céu de Estrelas, Antônia e Sequestro Relâmpago, quis saber como Tendler lida com materiais de arquivo, autorizações para uso de imagens da história brasileira. “É um problema que estou tratando agora porque por muitos anos esse problema não existia”, explicou, lembrando que um seminário debaterá o assunto no Festival de Brasília, do qual será curador. “A continuar como está a questão dos direitos (de imagem), o documentário vai morrer. A liberdade será totalmente cerceada e, via de consequência, a história.”

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A jornalista da Rede Brasil Atual Clara Assunção perguntou ao cineasta como encontra forças para seguir produzindo obras tão contundentes de resistência a um poder econômico tão destruidor. Como Dedo na Ferida, sobre o domínio dos mercados financeiros na economia, na política e nas tragédias globais, e O Veneno Está na Mesa, que aborda os interesses conjugados da indústria química e do agronegócio, num mundo controlado por esses interesses tão fortes. “Se a gente não lutasse, a vida seria muito pior”, resume o cineasta.

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