Ajuda recorde à Grécia não elimina risco de calote

Investidores e lderes polticos seguem temerosos quanto ao cumprimento das metas de austeridade pelo governo de Papademos e se o pas crescer como previsto

Ajuda recorde à Grécia não elimina risco de calote
Ajuda recorde à Grécia não elimina risco de calote (Foto: FRANCOIS LENOIR/REUTERS)

247 - Mesmo com um programa de resgate recorde, que inclui linha de crédito de € 130 bilhões e acordo para o corte de € 107 bilhões em dívidas privadas, as dúvidas que pesam sobre Atenas retornaram na abertura dos mercados financeiros. As principais bolsas do bloco fecharam no vermelho, confirmando que a insegurança persiste em dois pontos: se o país cumprirá as metas de austeridade e se crescerá como previsto.

O acordo para o programa de auxílio à Grécia foi firmado no fim da madrugada desta terça-feira, 21, em Bruxelas, ao término de mais de 12 horas de negociações entre os representantes do Banco Central Europeu (BCE), do FMI e de investidores privados. O plano tem como objetivo reduzir a dívida da Grécia para pouco mais de 120% do seu Produto Interno Bruto (PIB) até 2020. O nível atual da dívida beira 160% do PIB.

De acordo com algumas das autoridades, credores privados da dívida grega concordaram em desconto de 53,5% no valor de face dos seus títulos - número maior do que os 50% concedidos antes da reunião. O Instituto Internacional de Finanças, que representa os credores, não foi encontrado para comentar.

Participantes da reunião disseram que o país em crise também será beneficiado com um acordo pelo qual o Banco Central Europeu irá distribuir lucros estimados em € 50 bilhões de títulos comprados no mercado secundário em 2010-11 para os governos da zona do euro - e que agora serão usados para ajudar a Grécia. Os ministros concordaram, ainda, em uma nova redução na taxa de juros sobre o empréstimo de € 53 bilhões concedido pela zona do euro no 1º resgate, acordado em maio de 2010.

Com todas as obrigações e com a perda de soberania econômica, Papademos reconheceu que muito ainda resta a fazer, em um futuro próximo. E é justamente o que resta a fazer que inquieta investidores e líderes políticos. As principais bolsas da Europa fecharam em baixas moderadas nesta terça, sem entusiasmo com o plano. Em Londres, o índice FTSE 100 caiu 0,29%, enquanto em Paris o CAC 40 fechou com recuo de 0,21%. Em Frankfurt, o DAX caiu 0,58%. O pior resultado veio de Atenas, onde o tombo do índice ASE chegou a 3,47%.

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