Auxílio emergencial impulsiona comércio e vendas no varejo batem recorde em agosto, diz IBGE

Segundo o IBGE, as vendas no varejo cresceram 3,4% em agosto sobre o mês anterior e atingiram o maior volume da série histórica do instituto, alavancadas pelo pagamento do auxílio emergencial

Pessoas olham comércio de rua no Rio de Janeiro
Pessoas olham comércio de rua no Rio de Janeiro (Foto: REUTERS/Lucas Landau)
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Isabel Versiani e Rodrigo Viga Gaier, Reuters - As vendas no varejo brasileiro avançaram 3,4% em agosto sobre o mês anterior, na série com ajuste sazonal, e atingiram o maior volume da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), alavancadas pelo pagamento do auxílio emergencial, mostraram dados divulgados nesta quinta-feira.

O volume de vendas no varejo restrito, assim, ficou 2,6% acima do pico anterior, registrado em outubro de 2014.

Esse foi o quarto mês consecutivo de crescimento do varejo desde a queda de quase 17% registrada em abril sob o impacto das restrições à movimentação em meio à pandemia da Covid-19. Sobre agosto do ano passado, a alta foi de 6,1%.

A expectativa em pesquisa da Reuters era de alta de 3,1% na comparação mensal em agosto e de avanço de 7,00% sobre um ano antes.

No ano, o volume de vendas seguem em queda, de 0,9%, e, em 12 meses, há alta acumulada de 0,5%.

Para o gerente da pesquisa mensal do comércio do IBGE, Cristiano Santos, o desempenho recente do varejo “tem muito a ver com o auxílio emergencial, que aumentou a renda das famílias de menor renda, e com juros mais baixos, que ampliaram a oferta de crédito”.

“Isso influenciou no comportamento de sair do fundo do poço muito fundo para o topo do poço”, afirmou a jornalistas. Segundo ele, em agosto o setor ficou 8,9% acima de fevereiro.

O comércio varejista ampliado, que inclui também veículos e materiais de construção, cresceu 4,6% sobre julho.

Segundo o órgão, sete das dez atividades pesquisadas no varejo ampliado tiveram resultados positivos na comparação com julho, na série com ajuste sazonal. Os principais destaques foram tecidos, vestuário e calçados (+30,5%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (+10,4%) e veículos e motos, partes e peça (+8,8%).

Na ponta oposta, houve forte queda nas vendas de livros, jornais, revistas e papelaria (-24,7%) e recuo também no grupo de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (-1,2%) e de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-2,2%).

O economista Alberto Ramos, do banco Goldman Sachs, afirmou em nota a clientes que as vendas no varejo têm apresentado uma sólida recuperação desde abril, “apoiadas por grandes transferências de renda decorrentes de aumento de gasto fiscal e pelo relaxamento gradual dos protocolos de distanciamento social”.

“No entanto, um quadro doméstico ainda muito complexo no que diz respeito ao vírus da Covid e a provável redução do estímulo fiscal antes do final do ano podem suavizar/enfraquecer o ritmo da recuperação”, acrescentou.

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