"Bolsonaro não acredita na agenda de Paulo Guedes", diz Miriam Leitão

Jornalista avalia que Jair Bolsonaro fez uma encenação ao prometer apoio ao ministro da Economia, que está cada vez mais enfraquecido, por seus próprios erros

(Foto: Reprodução | Carolina Antunes/PR)
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247 – A jornalista Miriam Leitão avalia, em sua coluna, que Jair Bolsonaro fez uma grande encenação, na noite de ontem, ao prometer apoio à política do teto de gastos. "Bolsonaro tem medo de perder Paulo Guedes, mas não acredita na agenda dele. Gosta do que ouve dos ministros fura-teto, mas não quer ficar sem sua placa do Posto Ipiranga. Os erros de Guedes o enfraqueceram, a pandemia fortaleceu o argumento do aumento de gastos. Indeciso, Bolsonaro tem apenas um alvo: a reeleição em 2022", afirma. Confira boletim da TV 247 e saiba mais sobre a divisão no governo em reportagem da Reuters:


BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro ensaiou nesta quarta-feira um discurso alinhado com os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-RJ), em defesa da manutenção do teto de gastos e da responsabilidade fiscal, após reunião que reuniu os três, além de ministros em meio às incertezas da equipe econômica de tocar a agenda de reformas.

“Nós, em que pese o problema da pandemia, o Brasil está indo bem, a economia está reagindo e nós aqui —pelo menos, com essa reunião— queremos direcionar as nossas forças para o bem comum daquilo que todos nós defendemos: queremos o progresso, o desenvolvimento e o bem-estar do nosso povo”, disse Bolsonaro, em entrevista após o encontro no Palácio da Alvorada.

“Nós respeitamos o teto dos gastos, queremos a responsabilidade fiscal e o Brasil tem como realmente ser um daqueles países que melhor reagirá à questão da crise”, destacou.

Na véspera, o próprio ministro da Economia, Paulo Guedes, admitiu ter havido uma “debandada” de sua equipe econômica, com os pedidos de as demissão de Sallim Mattar (Desestatização) e Paulo Uebel (Desburocratização). Os secretários deixaram os cargos insatisfeitos com o andamento das privatizações e da reforma administrativa.

O movimento ocorre diante de pressões de parlamentares e de integrantes do próprio governo de buscar uma flexibilização dos gastos públicos para realizar investimentos sem eventuais cortes na máquina federal.

Guedes chegou a dizer na terça-feira que uma tentativa de “furar” o teto de gastos para aumentar despesas públicas poderia aproximar o presidente da “zona de impeachment”.

Nesta quarta, o dólar fechou em alta ante o real, afetado por incertezas sobre a capacidade de a equipe econômica tocar pautas reformistas. Guedes, que participou da reunião na Alvorada, não deu declarações à imprensa.

Sem falar em prazos, Bolsonaro afirmou que o encontro serviu para discutir pautas como privatizações e reformas, como a administrativa. Ele disse que há um compromisso de os presentes, mesmo sendo ano eleitoral, de buscar juntos “soluções, destravar a nossa economia e colocar o Brasil no local que ele sempre mereceu estar”.

Bolsonaro citou a ausência “justificada” no encontro do presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, que está tratando de uma pneumonite alérgica, em uma indicação de que pretendia dar ares de pacto para a reunião desta quarta.

GATILHOS

Assim como na véspera em fala conjunta com Paulo Guedes, o presidente da Câmara disse que há “muito o que fazer” e reafirmou o compromisso em defesa do teto de gastos e alertou para a necessidade de votação da regulamentação dos seus gatilhos para dar condições de administrar o Orçamento da União.

Em um sutil tom de cobrança, Rodrigo Maia aproveitou sua declaração para afirmar que a Câmara está pronta para analisar a reforma administrativa, assim em que o governo enviá-la.

Por sua vez, o presidente do Senado afirmou que é preciso “nivelar” as agendas política e econômica. Ele defendeu a construção de um consenso na sociedade em torno da reforma administrativa e do pacto federativo. Destacou ainda que o alinhamento das agendas após a pandemia do novo coronavírus é “fundamental”.

Entre outros participantes do encontro estavam o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, que tem sido apontado nos bastidores como um dos que pressionam pela flexibilização do teto de gastos, e parlamentares, como o novo líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR).

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