Bovespa sobe quase 4% com valorização da Petrobras

O Ibovespa subiu 3,73 por cento, a 61.813 pontos, maior nível de fechamento desde 30 de novembro de 2016, enquanto as ações da estatal tiveram ganhos de 5,73% e 6,35%, na contramão dos preços do petróleo no exterior

BOVESPA
BOVESPA (Foto: Gisele Federicce)

Por Gabriela Mello

SÃO PAULO (Reuters) - O principal índice da bolsa paulista encerrou a terça-feira em alta de quase 4 por cento, reagindo a indicadores econômicos mais favoráveis no exterior, particularmente números sobre a atividade industrial na China e nos Estados Unidos.

O Ibovespa subiu 3,73 por cento, a 61.813 pontos, maior nível de fechamento desde 30 de novembro de 2016. O giro financeiro somou 7,45 bilhões de reais, superando em mais de três vezes o volume da véspera e ficando muito perto da média diária de 7,4 bilhões de reais do ano passado.

Pela manhã, as ações de empresas que negociam commodities foram destaque, impulsionadas pelo avanço dos preços do petróleo para máxima em 18 meses e pela divulgação de dados mostrando expansão maior que a esperada da atividade industrial chinesa.

No decorrer do dia, os Estados Unidos intensificaram o viés positivo da Bovespa com uma série de indicadores econômicos favoráveis.

"Não só na China como nos EUA os indicadores industriais vieram melhores, o que ajudou a Bovespa a se recuperar das perdas sofridas na véspera com a ausência de Wall Street", disse o economista-chefe Jason Vieira, da Infinity Asset Management.

No âmbito doméstico, a pesquisa Focus divulgada pelo Banco Central reforçou expectativas de aceleração no corte da taxa básica de juro, dando impulso adicional às ações de consumo e construção. Economistas consultados pelo BC reduziram a projeção para Selic ao final de 2017 para 10,25 por cento, de 10,50 por cento anteriormente.

Entre outras notícias, investidores estrangeiros entraram com 14,325 bilhões de reais na bolsa brasileira em 2016, segundo dados da BM&FBovespa divulgado nesta terça-feira. Embora positivo, o saldo externo ficou 12,6 por cento abaixo dos 16,387 bilhões de reais aplicados observados em 2015.

DESTAQUES

- CYRELA fechou em alta de 8,46 por cento, liderando as altas do Ibovespa, em meio à expectativa de que novos cortes de juros ajudem as vendas de imóveis depois de um 2016 difícil para o setor de construção.

- PETROBRAS PN fechou com ganho de 5,73 por cento, e PETROBRAS ON avançou 6,35 por cento, na contramão dos preços do petróleo no exterior. O Brent chegou a atingir a máxima em 18 meses pela manhã, mas inverteu o sinal em meio a dúvidas sobre o cumprimento do acordo de corte na produção firmado pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

- VALE PNA encerrou com valorização de 5,51 por cento, e VALE ON subiu 4,43 por cento, reagindo aos dados sobre a produção industrial da China que, de acordo com analistas, ofuscaram a queda dos preços do minério de ferro naquele país.

- ITAÚ UNIBANCO PN fechou em alta de 4,24 por cento, contribuindo para a firmeza do Ibovespa, dado o seu peso na composição do índice. Ainda no setor bancário, BRADESCO PN avançou também 4,24 por cento e Banco do Brasil ganhou 4,58 por cento.

- CEMIG PN se valorizou 2,2 por cento, e RENOVA ENERGIA, braço de investimentos em geração renovável da elétrica mineira e que não faz parte do Ibovespa, avançou 3,79 por cento, no segundo dia seguido de ganhos. A Reuters publicou na segunda-feira que a empresa negocia a venda de um parque eólico na Bahia. Após o fechamento do mercado, a Renova informou que não havia decisão formal sobre venda de ativos.

- HYPERMARCAS encerrou com alta de 2,79 por cento, apesar de anunciar o recolhimento de 119 lotes de medicamentos produzidos pela subsidiária Brainfarma entre janeiro e março de 2016.

A "palavra mágica" que fez a Petrobras ignorar a derrocada do petróleo e disparar 6%

Do Infomoney - As reviravoltas do petróleo não conseguiram derrubar as ações da Petrobras (PETR3PETR4). Durante a manhã, o preço do WTI havia atingido o seu maior patamar desde julho de 2015, superando os US$ 55 o barril ao ter uma alta superior a 2%. Já durante a tarde, uma reviravolta. O preço da commodity passou a registrar baixa de 3%, em meio ao fortalecimento do dólar e as notícias de que a Líbia aumentou a sua produção. 

Porém, para as ações da Petrobras, pouco impacto. Na máxima do dia, os papéis ON chegaram a disparar 7,68% e os PN tiveram ganhos de 6,75% mas, apesar da virada da commodity, os papéis seguiram em disparada e fecharam com expressiva alta de 6,35% e 5,73%, respectivamente, cotados a R$ 17,58 e R$ 15,50.

Mas o que explica a resiliência das ações da Petrobras nesta sessão, apesar da turbulência do petróleo na sessão? Simplesmente, uma "palavra mágica": reajuste. Mais especificamente, a nova política de preços de combustíveis da estatal, que prevê a revisão das tarifas uma vez por mês.

Conforme aponta o trader da H. Commcor Ari Santos, há rumores no mercado de que a Petrobras elevará os preços dos combustíveis em reunião que poderá acontecer já na próxima sexta-feira (6), com o anúncio ocorrendo até o final de semana.

A nova política de preços de combustíveis foi instaurada em outubro e, na época, a estatal destacou que o Grupo Executivo de Mercados e Preços se reuniria uma vez por mês para rever os preços, com base no mercado internacional. Já ocorreram três reuniões, com duas decisões de queda dos preços de diesel e gasolina e uma alta em dezembro. 

A política de reajuste dos combustíveis vem sendo bem elogiada por analistas de mercado desde que começou a ser implementada. De acordo com o destacado pelo BTG Pactual na época, "a previsibilidade na precificação de combustíveis diminui bem o risco do negócio e aumenta as chances de sucesso nas parcerias no refino, que fazem parte do plano de desinvestimento de 2017-2018". Assim, as perspectivas de uma nova elevação de preços são bastante comemoradas pelo mercado. 

Outra notícia que também chamou atenção no setor foi a entrevista do presidente de etanol da SCA Trading, Martinho Seiiti Ono, que afirmou que a gasolina deve subir R$ 0,03 por litro para os consumidores depois do fim da isenção de PIS e Cofins do etanol ocorrida em 31 de dezembro. Segundo ele, o etanol aumentou R$ 0,11 por litro.

Seiiti Ono ainda destacou que a Petrobras pode aumentar os preços da gasolina no dia 10 de janeiro - reforçando os rumores do mercado - na sequência de um aumento nos custos internacionais. "Vemos espaço para o preço da gasolina subir 3% a 4% em janeiro. Isso fará o etanol mais competitivo", completou.

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