Com Trump, dólar caminha para pior janeiro em uma década

Fala do diretor do Conselho Nacional do Comércio dos Estados Unidos, Peter Navarro, com críticas à Alemanha se juntou a declarações do presidente Donald Trump, acusando a China de manipulação do câmbio indicam:novo governo quer dólar em queda; na Ibovespa, divisa americana é cotada a R$ 3,13

Fala do diretor do Conselho Nacional do Comércio dos Estados Unidos, Peter Navarro, com críticas à Alemanha se juntou a declarações do presidente Donald Trump, acusando a China de manipulação do câmbio indicam:novo governo quer dólar em queda; na Ibovespa, divisa americana é cotada a R$ 3,13
Fala do diretor do Conselho Nacional do Comércio dos Estados Unidos, Peter Navarro, com críticas à Alemanha se juntou a declarações do presidente Donald Trump, acusando a China de manipulação do câmbio indicam:novo governo quer dólar em queda; na Ibovespa, divisa americana é cotada a R$ 3,13 (Foto: Aquiles Lins)

Lara Rizério, do Infomoney - Em matéria da semana passada, o InfoMoney já havia destacado alguns sinais de que o governo Trump iria lutar por um dólar mais desvalorizado frente as principais moedas mundiais.

As falas dos indicados para a secretaria do Tesouro Steven Mnuchin e para a secretaria de comércio exterior dos EUA Wilbur Ross na última semana e as declarações de Donald Trump (fazendo acusações de manipulação de câmbio pela China) antes mesmo de assumir foram na direção de uma moeda mais fraca.

E, nesta terça-feira, mais uma declaração mexeu com o mercado de câmbio global. Em entrevista ao jornal britânico Financial Times o diretor do Conselho Nacional do Comércio dos Estados Unidos, Peter Navarro, teceu duras críticas à Alemanha afirmando que o país se aproveita de um euro "fortemente desvalorizado" para explorar tanto as relações comerciais com os Estados Unidos como com seus parceiros na União Europeia. Em meio a essas declarações - e também por conta de dados positivos da zona do euro - a moeda europeia registra ganhos de 0,55%, a uma paridade de 1,075 ante o dólar. Com isso, conforme ressalta o portal CNBC, a divisa americana caminha para ter o pior janeiro em uma década ante as principais moedas globais.

Além disso, há outro evento que deve ser analisado cuidadosamente pelo mercado: a reunião do Fomc (Federal Open Market Committee), que ocorrerá na próxima quarta-feira. Segundo o diretor de câmbio da Wagner Investimentos, José Faria Júnior, dada a composição mais "dovish" (brando, com menor tendência de aumento de juros) do Comitê, é possível que o comunicado de amanhã seja mais propício para o enfraquecimento do dólar, ainda mais após os dados de sexta-feira e de ontem mais fracos da economia dos Estados Unidos.

Soma-se a isso ainda o cenário de maior tensão após Trump assinar um decreto presidencial para impedir indefinidamente a entrada de refugiados sírios e suspender as viagens de sete países de maioria muçulmana aos EUA, provocando protestos generalizados. Nesta terça, a secretária de Justiça interina dos Estados Unidos, Sally Yates, foi afastada poucas horas depois de ter se pronunciado e orientado o Departamento de Justiça a não atuar em defesa das ordens executivas sobre imigrantes e refugiados. De acordo com o estrategista do Société Générale Kit Juckes, essa política foi positiva para os Treasuries, o ouro e o iene, mas foi ruim para o dólar.

Conforme destaca a CNBC, muitos operadores do mercado estavam esperando que o dólar se valorizasse em meio às perspectivas de maior gasto em infraestrutura, o que deveria levar o Federal Reserve a intensificar o ritmo de alta dos juros. Contudo, o dólar caiu firmemente desde meados de dezembro como um abalo necessário no posicionamento no mercado, mas também por uma menor fé na nova administração, além de poucos detalhes sobre o programa de estímulos ao crescimento do presidente americano.

Mesmo com esse sentimento negativo, pelo menos por enquanto, Trump parece estar conseguindo o que quer: levar o dólar para baixo.

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