Delfim Netto prevê queda de 7% do PIB em 2020

"A demanda está caindo e há também queda da oferta global, o que vai gerar recessão profunda e pressão deflacionária", afirma o ex-ministro da Fazenda Antonio Delfim Netto

(Foto: Roberta Namour)
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247 - O ex-ministro da Fazenda Antonio Delfim Netto prevê um cenário econômico nacional para 2020, com taxa Selic no piso entre 1% e 1,5% e PIB com queda na casa de 7% neste ano. 

"A demanda está caindo e há também queda da oferta global, o que vai gerar recessão profunda e pressão deflacionária", afirma. O relato foi publicado pela Bloomberg Brasil

Um cenário de capacidade ociosa gigantesca impedirá o repasse da alta do dólar para a inflação e abrirá caminho para mais cortes de juros pelo Banco Central, que já levou a taxa básica para os atuais 3%.

Delfim também não mostra otimismo com o processo de recuperação pós-pandemia e prevê uma retomada lenta. De acordo com o economista, o Brasil perdeu parte de sua capacidade produtiva com erros de política econômica do passado e o crescimento deverá ficar em torno de 2,5% em 2021.

O ex-ministro também adiz que o Brasil não tem como realizar investimento público para amenizar o efeito da crise, pois o déficit primário será de quase 10% e a relação dívida/PIB, em torno de 90% neste ano, em razão do aumento de gastos para combater a crise. "Para ampliar os investimentos, nós vamos precisar mobilizar o capital privado externo e o interno com bons projetos".

Para ele, esse atual aumento do déficit não é preocupante desde que as despesas sejam temporárias e que o governo persista com as reformas após a pandemia. "Temos de fazer uma reforma do estado. Não somos um estado forte, e sim obeso".

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