Ibovespa abre em queda e petróleo sofre recuo de quase 40% nos preços

Falta de demanda no mercado global e instabilidade política forçaram um novo crash no petróleo americano e queda forte do Ibovespa respectivamente

Ibovespa fecha em baixa no dia, mas avança 9,5% na semana e quebra série de perdas
Ibovespa fecha em baixa no dia, mas avança 9,5% na semana e quebra série de perdas (Foto: REUTERS/Amanda Perobelli)
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Por InfoMoney - O Ibovespa abre em queda nesta segunda-feira (20), véspera de feriado, pressionado pelo novo crash do petróleo no mercado internacional. Também gera ruído a crise política e institucional que toma conta do País após as manifestações do domingo (19), endossadas pelo presidente da República, Jair Bolsonaro.

Os manifestantes pediam a flexibilização do isolamento social e defenderam uma intervenção militar. O movimento foi repudiado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Às 10h10 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava baixa de 2,21%, aos 77.241 pontos. Já o dólar futuro para maio tem alta de 0,68% a R$ 5,277. O dólar comercial sobe 0,62% a R$ 5,2667 na compra e a R$ 5,2683 na venda.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 sobe 10 pontos-base a 3,72%, o DI para janeiro de 2023 avança 12 pontos-base a 4,70% e o DI para janeiro de 2025 registra ganhos de 13 pontos-base a 6,21%.

O petróleo americano WTI sofreu um novo crash hoje, com os preços recuando mais de 37% a US$ 11,38. O barril do Brent recua 5,95% a US$ 26,41. Segundo a CNN, o mercado percebeu que os cortes de 9,7 milhões de barris diários anunciados semana passada pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) não serão suficientes para aumentar a demanda pela economia atingida pelo coronavírus.

Segundo Gabriel Fonseca, analista da XP Investimentos, é importante ressaltar a diferença entre o horizonte dos contratos futuros: o contrato referente a maio de 2020, que expira hoje (20) opera em forte queda de -37%, aos US$11,38/barril, enquanto o contrato de junho de 2020 recua pouco mais de 9%.

De acordo com ele, os motivos para o descompasso são a falta de liquidez para o contrato de curto prazo, com a migração de investidores para o do período seguinte e preocupações referentes à ultrapassagem da capacidade de armazenagem de óleo no núcleo de Cushing, em Oklahoma.

As bolsas da Ásia fecharam em queda, com a exceção de Xangai, onde o Banco do Povo da China cortou a taxa de juros em 0,20 pontos porcentuais para 3,85% ao ano. As bolsas europeias abriram estáveis, mas viraram para baixa em meio às preocupações com o petróleo.

Nos Estados Unidos, a IBM publica balanço hoje, enquanto Coca-Cola, Netflix e Texas Instruments divulgam resultados na terça-feira. Mas o investidor americano está mais preocupado com a reabertura da economia, que Trump anunciou para 5 de maio, e com um pacote de US$ 450 bilhões para pequenas e médias empresas em discussão no Congresso.

No Brasil, a Câmara dos Deputados vota nesta semana o chamado “orçamento de guerra” para o combate aos efeitos da epidemia do coronavírus. A Câmara deve votar a matéria na quarta-feira, após o feriado de 21 de abril.

Entre os indicadores, o Relatório Focus mostrou que os economistas projetam uma queda de 2,96% no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2020. O dado é bem mais negativo que o da semana passada, quando a mediana das previsões dos especialistas era de uma retração de 1,96%. Para 2021, contudo, a projeção foi elevada de 2,7% na semana anterior para 3,1% agora.

A expectativa para a taxa básica de juros ao fim de 2020 foi reduzida de 3,25% para 3% ao ano. Para o ano que vem, a projeção foi mantida em 4,5% após três semanas consecutivas de revisões para baixo.

Em meio a medidas de isolamento social visando minimizar a disseminação do coronavírus, as expectativas para inflação e crescimento da economia do país também foram novamente reduzidas. Para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a projeção de alta foi cortada pela sexta vez consecutiva, de 2,52% para 2,23%, em 2020, e cortada também de 3,5% para 3,4% em 2021.

No que tange às previsões para o mercado cambial, o relatório Focus revelou que a estimativa para o dólar teve alta de R$ 4,60 para R$ 4,80, em 2020, e um aumento de R$ 4,47 para R$ 4,50, ao fim de 2021.

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