Ibovespa sobe 2,6% e vai a seu maior nível desde agosto com euforia por vacina e após vitória de Biden

Mercado inicia a semana com ganhos diante dos avanços para conter a Covid-19 e derrota de Donald Trump nos EUA

Vista externa da B3, a bolsa de valores de São Paulo 26/02/2020
Vista externa da B3, a bolsa de valores de São Paulo 26/02/2020 (Foto: REUTERS/Rahel Patrasso)
Siga o Brasil 247 no Google News Assine a Newsletter 247

InfoMoney - O Ibovespa fechou em forte alta nesta segunda-feira (9) após a eleição do democrata Joe Biden como o novo presidente dos Estados Unidos e a notícia de que a vacina desenvolvida pela Pfizer e pela BioNtech possui 90% de efetividade contra o coronavírus.

As companhias disseram que vão submeter os resultados das três fases de testes, iniciadas em 27 de julho, para revisão pela comunidade científica. Nas bolsas internacionais, dispararam os preços de ações e de commodities que foram afetadas pelas restrições tomadas para enfrentar a pandemia.

Os papéis da Boeing subiram 13,7% e o petróleo avançou 7,02% a US$ 42,22 o barril do Brent – usado como referência pela Petrobras (PETR3; PETR4) – e 7,84% a US$ 40,05 o barril do WTI. Para destaques das ações brasileiras clique aqui.

Na política americana, as vitórias nos estados de Nevada e Pensilvânia garantiram o número de delegados necessários para a eleição de Biden, tirando de lado boa parte das incertezas relacionadas ao pleito apesar da promessa de judicialização dos resultados pelo atual presidente Donald Trump.

As notícias sobre a corrida presidencial e sobre a vacina ocorrem em um momento de dados alarmantes sobre o coronavírus. No dia 4, os Estados Unidos foram o primeiro país a ultrapassar a marca de 100 mil novos casos de infecção pelo coronavírus registrados em um só dia (com 107 mil). No dia 6, foram 132 mil casos. No dia 8, foram outros 101 mil casos, o maior número registrado no país em um domingo até o momento.

No radar político, Jair Bolsonaro ainda não se pronunciou sobre a eleição nos EUA após a vitória de Biden, enquanto o noticiário dos jornais aponta para articulações políticas visando 2022.

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que a retomada econômica brasileira é robusta, mas avalia que a recuperação do mercado de trabalho irá demorar mais graças às mudanças estruturais causadas pela tecnologia durante a pandemia.

Hoje, o Ibovespa subiu 2,57%, aos 103.515 pontos com volume financeiro negociado de R$ 49,113 bilhões. Com a alta de hoje, o índice voltou a seu maior patamar de fechamento desde o dia 6 de agosto, quando encerrou a sessão cotado em 104.125 pontos.

Enquanto isso, o dólar comercial ficou praticamente estável após chegar a cair 3%. O câmbio teve leve variação negativa de 0,04% a R$ 5,39 na compra e a R$ 5,391 na venda. O dólar futuro com vencimento em dezembro registrava leve alta de 0,33%, a R$ 5,387 no after-market.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 caiu quatro pontos-base a 3,27%, o DI para janeiro de 2023 recuou cinco pontos-base a 4,81%, o DI para janeiro de 2025 teve queda de sete pontos-base a 6,44% e o DI para janeiro de 2027 registrou variação negativa de nove pontos-base a 7,16%.

Voltando aos EUA, analistas acreditam que há pouca chance de que Trump consiga alterar o desfecho das eleições. O mercado continua atento para os resultados dos votos para o Senado na Geórgia. Até o momento, democratas e republicanos estão empatados na contagem de número de senadores, cada um com 48 confirmados.

O resultado da Geórgia deve ser determinante sobre se os republicanos manterão o domínio sobre o Senado, ou se os democratas tomarão a frente.

O arranjo provável entre uma Presidência democrata e um Senado comandado por republicanos parece ser bem recebida pelo mercado. Este arranjo irá limitar drasticamente a capacidade de Biden de realizar reformas econômicas mais profundas, mantendo o status quo. Na Europa, os índices também tiveram alta nesta segunda.

Biden disse hoje que foi informado dos progressos na vacina da Pfizer, mas ressalvou que mesmo que o anúncio traga “esperança” demorará meses até que haja uma vacinação geral da população nos EUA.

Entre os indicadores nacionais, os economistas do mercado financeiro revisaram suas projeções para a retração do Produto Interno Bruto (PIB) em 2020, mostrou o Relatório Focus do Banco Central. De uma queda de 4,81%, agora é esperado um recuo de 4,80%. Já para 2021, a mediana das estimativas caiu de um crescimento de 3,34% para uma expansão de 3,31%.

Em relação ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) a expectativa mediana dos economistas foi elevada de 3,02% para 3,20% em 2020. Para 2021 ela também aumentou, subindo de 3,11% para 2,17%.

Por outro lado, ficaram estáveis as previsões para o dólar ao fim de 2020 (R$ 5,45) e para 2021 (R$ 5,20).

As estimativas para a taxa básica de juros Selic se mantiveram em 2,00% ao ano para 2020 e em 2,75% ao ano para 2021.

Noticiário político

Em live realizada no fim de semana, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) não citou a vitória de Biden e diz que não sabe se tentará reeleição. De acordo com informações do jornal O Globo, aliados de Bolsonaro defendem gestão com menos discurso radical após derrota de Trump.

Ainda no radar político, segundo a Folha de S. Paulo, Sergio Moro e Luciano Huck negociam aliança eleitoral para disputa da Presidência em 2022. O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública de Moro e o apresentador de TV encontraram-se em Curitiba para conversar sobre terceira via.

Não se debateu quem seria cabeça de chapa, discussão que deve ocorrer ao longo de 2021; a articulação de centro também inclui João Doria, governador de São Paulo.

Também em destaque, o governo de Bolsonaro está buscando formas de estabelecer controle sobre ONGs (Organizações Não Governamentais) na Amazônia, informa o jornal O Estado de S. Paulo. O movimento ocorre em um momento em que a vitória do democrata Joe Biden como presidente dos Estados Unidos gera expectativa de maior pressão sobre a escalada dos índices de desmatamento na Amazônia.

Biden é historicamente ligado à causa ambientalista. Em debate contra Trump no final de setembro, afirmou que, caso eleito, “começaria imediatamente a organizar o hemisfério e o mundo para prover US$ 20 bilhões para a Amazônia, para o Brasil não queimar mais a Amazônia”. Ele afirmou que a comunidade internacional ofereceria os US$ 20 bilhões para que o Brasil deixasse de destruir a floresta.

“E se não parar, vai enfrentar consequências econômicas significativas”, afirmou.

O Estadão diz que obteve acesso a documentos elaborados pelo Conselho Nacional da Amazônia Legal, colegiado criado em 1985, durante a ditadura militar, extinto em 1995, recriado pelo governo Bolsonaro e atualmente presidido pelo vice-presidente, general Hamilton Mourão.

Segundo o jornal paulista, o documento foi encaminhado por Mourão a ministros, e tem como objetivo “garantir a prevalência de interesses nacionais sobre os individuais e os políticos”.

A meta seria “obter controle de 100% das ONGs que atuam na Região Amazônica, até 2022, a fim de autorizar somente aquelas que atendam os interesses nacionais”. O documento prevê “criar um marco regulatório para a atuação das ONGs”.

O estado do Amapá opera sem energia em grande parte dos municípios desde a terça-feira passada (3), após um transformador ser destruído por um incêndio. No sábado (7), o aparelho foi substituído.

No domingo (8), o estado divulgou o cronograma de rodízio de fornecimento de energia elétrica em 13 municípios atingidos pelo apagão. O fornecimento total só deve ser estabelecido no próximo final de semana, afirma o Ministério de Minas e Energia, sem citar um dia exato.

Brasil deve cair no ranking de maiores economias

Com a redução do PIB (Produto Interno Bruto) em decorrência da crise impulsionada pela pandemia, somada à acentuada desvalorização do real frente o dólar, a economia brasileira deve sofrer forte queda em 2020.

Até o final do ano, o Brasil deve deixar de figurar entre as dez maiores economias do globo, segundo dados do FMI (Fundo Monetário Internacional) compilados pela FGV (Fundação Getulio Vargas) e repercutidos pelo jornal Valor.

Segundo as projeções do FMI, o PIB brasileiro deve retrair em 5,8% em 2020. Quando se converte os valores em dólares, contabilizando, portanto, a retração do valor do real, o recuo será de 28,3% em 2020 em comparação com 2019.

Dessa forma, o país deve cair três posições em ranking das maiores economias do mundo, da nona posição para a 12ª, sendo ultrapassado por Canadá, Coreia do Sul e Rússia. O Brasil já chegou a ocupar a posição de sétima maior economia, quando o real estava valorizado.

A economia brasileira também sofre com a disparada no índice de inflação IGP-M, que tem elevado o custo da dívida pública. Entre janeiro e setembro de 2020, o gasto com encargos na parcela do endividamento bruto atrelado ao IGP-M dobrou em relação ao mesmo período de 2019, para R$ 20 bilhões. A crise fiscal e juros baixos têm tornado mais difícil para o país atrair investimentos.

Radar corporativo

A Latam, maior companhia aérea da América Latina, reportou na sexta-feira (6) prejuízo líquido de US$ 573,1 milhões no terceiro trimestre, afetado pela pandemia do coronavírus.

O lucro líquido da companhia de alimentos M. Dias Branco foi de R$ 265 milhões no terceiro trimestre, reportou a empresa. Foi um salto de 97,3% na comparação anual.

O conhecimento liberta. Saiba mais

A você que chegou até aqui, agradecemos muito por valorizar nosso conteúdo. Ao contrário da mídia corporativa, o Brasil 247 e a TV 247 se financiam por meio da sua própria comunidade de leitores e telespectadores. Você pode apoiar a TV 247 e o site Brasil 247 de diversas formas. Veja como em brasil247.com/apoio

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247