Laura Carvalho: radicalismo de mercado só aprofundará a crise no Brasil

Professora de Economia da USP, Laura Carvalho critica o anacronismo das recomendações da OCDE para o Brasil; "Os investimentos públicos em infraestrutura e a política fiscal redistributiva por meio da taxação progressiva, das transferências sociais e dos serviços públicos de qualidade têm assumido um papel cada vez mais central nas agendas de crescimento econômico defendidas por pesquisadores da área, bem como em plataformas políticas progressistas. Do contrário, a crise do regime é tamanha que continuará levando ao crescimento de movimentos de extrema direita anti-imigração ao redor do mundo", afirma

Laura Carvalho
Laura Carvalho (Foto: Aquiles Lins)

247 - A economista Laura Carvalho, professora do Departamento de Economia da FEA-USP, escreve nesta quinta-feira, 8, que o crescimento de 1% do PIB, divulgado pelo IBGE na última quinta-feira, 1º, não foi motivo para grandes comemorações.

Ela destaca repercussões negativas em jornais como o Financial Times e as recomendações da OCDE, que propôs, além de abrir mais a economia para a concorrência estrangeira e reformar a Previdência, tornar o Banco Central independente, pôr fim à política industrial, desvincular os benefícios sociais do salário mínimo e reduzir o papel do BNDES, entre outras medidas.

"O relatório parece saído diretamente do túnel do tempo, de quando ainda havia consenso entre os organismos multilaterais de que o caminho mais eficaz para que países pobres se tornassem ricos era abrir suas economias o máximo possível para a entrada de empresas estrangeiras mais eficientes, desenvolver o setor financeiro privado e reduzir o grau de intervenção do Estado nos mercados", diz ela. 

Laura Carvalho que pesquisa do próprio FMI vêm questionando a adoção do modelo. "Em particular, as evidências são que o nível de desigualdade dentro de cada país e aquele entre os países ricos e pobres também aumentou de modo geral. A exceção são os países que conseguiram acelerar muito suas taxas de crescimento por não terem cumprido a cartilha, entre os quais a China é o maior exemplo", diz. 

"Os investimentos públicos em infraestrutura e a política fiscal redistributiva por meio da taxação progressiva, das transferências sociais e dos serviços públicos de qualidade têm assumido um papel cada vez mais central nas agendas de crescimento econômico defendidas por pesquisadores da área, bem como em plataformas políticas progressistas. Do contrário, a crise do regime é tamanha que continuará levando ao crescimento de movimentos de extrema direita anti-imigração ao redor do mundo", afirma. 

Leia na íntegra a análise de Laura Carvalho na Folha de S. Paulo.

 

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