Levy já teria acertado saída do governo Dilma

Segundo a colunista Claudia Safatle, do jornal Valor Econômico, o Palácio do Planalto teria pedido uma transição de forma mais suave e discreta para não assustar o mercado; presidente Dilma Rousseff pretende conduzir uma política fiscal mais branda; Ibovespa Futuro cai com perspectiva de saída do ministro da Fazenda

Brasília - O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, participa da solenidade em comemoração aos 18 anos da Aneel (José Cruz/Agência Brasil)
Brasília - O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, participa da solenidade em comemoração aos 18 anos da Aneel (José Cruz/Agência Brasil) (Foto: Gisele Federicce)
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Por Lara Rizério - De acordo com informações do jornal Valor Econômico desta quarta-feira 16, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, já acertou com a presidente Dilma Rousseff sua saída do governo há alguns dias.

O ministro permanecerá no cargo por um breve período até que a presidente encontre um substituto e o cenário político fique mais nítido. O Palácio do Planalto, afirma a colunista Claudia Safatle, teria pedido uma transição de forma mais suave e discreta para não assustar o mercado.

O governo, com o processo de impeachment, é outro e Dilma conduzirá política fiscal bem mais branda que a defendida por Levy, afirma a colunista.

A saída dele foi conduzida em meio às notícias de que ele estaria condicionando a sua permanência à confirmação da meta de superávit de 0,7% do PIB em 2016. Ontem, ele teve uma derrota: o relator da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2016, deputado Ricardo Teobaldo (PMB-PE), afirmou que fará adendo ao texto, a pedido do governo, para alterar a meta fiscal a cerca de 0,5% do PIB, com possibilidade de a meta ser zerada com abatimentos.

Ibovespa Futuro cai com perspectiva de queda de Levy e antes de decisão do Fomc

Por Ricardo Bomfim - O Ibovespa Futuro abre em baixa nesta quarta-feira (16), contrariando o movimento das bolsas mundiais, que sobem antes da reunião do Fomc (Federal Open Market Committee) que deverá culminar com o aumento das taxas de juros nos Estados Unidos. Por aqui, a presidente Dilma Rousseff enviou ao Congresso uma proposta de Orçamento que prevê um superávit primário de 0% a 0,5% do PIB (Produto Interno Bruto). O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, havia dito recentemente que sairia do cargo se a meta fiscal fosse reduzida dos 0,7% pedidos por ele, de modo que já há quem considere sua saída uma questão de tempo.

Às 9h12 (horário de Brasília), o contrato futuro do índice para dezembro caía 0,94%, a 44.460 pontos. Vale lembrar que hoje é dia de vencimento dos contratos futuros e opções sobre o Ibovespa. Já o dólar futuro para janeiro de 2016 subia 2,06% a R$ 3,970.

No noticiário político, o STF (Supremo Tribunal Federal) começa a julgar hoje a validade da Lei 1.079/50, que regulamentou as normas de processo e julgamento do impeachment, e alguns artigos do Regimento Interno da Câmara dos Deputados. As normas foram utilizadas pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), para dar andamento às etapas inciais do processo, que foi suspenso pelo ministro Edson Fachin, relator da ação que trata do assunto, a pedido do PCdoB, até decisão do plenário.

A sessão está prevista para começar às 14h, pela leitura do relatório da ação. Em seguida, será aberto prazo de 15 minutos para que cada uma das partes do processo, incluindo a Câmara, o Senado, a PGR (Procuradoria-Geral da República) e a presidente Dilma Rousseff, por meio da AGU (Advocacia-Geral da União), possa se manifestar. O PT, PSDB, DEM, PSOL, a Rede, o PP e a UNE (União Nacional dos Estudantes) terão que dividir uma hora para sustentação oral. Após as manifestações, Fachin e os demais ministros começam a votar. O voto do ministro tem cerca de 100 páginas. A previsão é que o julgamento não termine hoje e seja retomado amanhã (17).

Além disso, o PMDB vai reunir hoje a Executiva Nacional do partido, às 10h30, em Brasília. A reunião foi convocada pelo presidente da legenda, vice-presidente Michel Temer, e vai discutir, entre outros assuntos, a operação deflagrada na terça-feira (15) pela Polícia Federal de busca e apreensão em endereços de lideranças do partido, entre elas o presidente da Câmara, ministros e ex-ministros peemedebistas. Segundo interlocutores do partido próximos a Temer, há pressão para que o PMDB defina um posicionamento único em relação à aliança com o PT e ao apoio ao governo da presidente Dilma Rousseff. Uma parte do partido, ligada a Cunha, defende o rompimento com o Palácio do Planalto.

O mercado também deve reagir à notícia do jornal Valor Econômico de hoje de que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy já acertou com a presidente Dilma Rousseff sua saída do governo há alguns dias. O ministro permanecerá no cargo por um breve período até que a presidente encontre um substituto e o cenário político fique mais nítido. O Palácio do Planalto, afirma a colunista Claudia Safatle, teria pedido uma transição de forma mais suave e discreta para não assustar o mercado.

Por outro lado, foi aprovado o projeto que repatria recursos de brasileiros no exterior não declarados ao Fisco com mudanças na redação que permitem que a presidente faça alterações e restabeleça a essência do texto. O Congresso limpou a pauta para votar nesta quarta-feira os projetos da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2016 e do Plano Plurianual (PPA) 2016-2019.

Cenário externo

Na Europa, o dia é de cautela, com os mercados registrando leves ganhos também à espera do Fomc. Em destaque no cenário corporativo por lá, está o Casino, que sobe 7% após a companhia anunciar planos de redução de dívida.

Enquanto isso, as bolsas asiáticas subiram com força nesta quarta-feira, com a confiança sendo impulsionada pela alta em Wall Street antes da provável elevação da taxa de juros nos Estados Unidos, que ocorrerá às 17h. O índice Nikkei avançou 2,6%, se recuperando da mínima de dois meses atingida na sessão anterior com o humor para o risco melhorando antes de um dos eventos do mercado mais antecipados deste ano. Com o aumento dos juros sendo visto como praticamente certo após mais de um ano de antecipação, o foco do investidor está em como será o ritmo do ciclo de aperto que o Fed vai optar por fazer no próximo ano. O banco central da mair economia do mundo já sinalizou que pretende elevar os juros de forma gradual.

O Ibovespa Futuro é um bom termômetro de como será o pregão, mas nem sempre prevê adequadamente movimentos na Bolsa a partir do sino de abertura.

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