Medidas do governo atendem a um terço das empresas, diz dono da TNG

Fundador da rede de lojas de roupa e presidente da Ablos, o empresário Tito Bessa disse à TV 247 que as medidas econômicas emergenciais anunciadas pelo governo federal não estão, de fato, chegando às contas das empresas. “Cadê esses bilhões?”, questionou. Assista

Paulo Guedes, Jair Bolsonaro, Luiz Henrique Mandetta e Tito Bessa
Paulo Guedes, Jair Bolsonaro, Luiz Henrique Mandetta e Tito Bessa (Foto: Agência Brasil - EBC | Reprodução)
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247 - Fundador da rede de lojas TNG e presidente da Associação Brasileira dos Lojistas Satélites (Ablos), o empresário Tito Bessa conversou com a TV 247 sobre a situação e o papel do empresariado em meio à pandemia de coronavírus e à paralisação econômica que vive o Brasil. Segundo Bessa, as medidas econômicas de ajuda para as empresas anunciadas pelo governo Jair Bolsonaro não estão, de fato, chegando na conta.

Para ele, ainda é necessário muito mais ajuda do que foi prometido pelo governo. “Falta muita coisa ainda, acredito que falta por parte do governo uma ajuda muito maior do que até então foi divulgada. Algumas medidas, sim, já são efetivas, outras não, mas principalmente para as empresas falta ainda a clareza e a segurança que realmente todos nós vamos ter condições do ‘day after’, que não vai haver aí uma quebradeira”.

Tito Bessa falou que as medidas de socorro estão sendo voltada para as empresas menores, mas salientou que os grande negócios também precisam de ajuda. “Percebo que as medidas que foram implementadas até então ou que estão em vias de serem finalizadas estão contemplando um terço das empresas, dois terços estão de fora. Você está protegendo o pequeno, de R$ 360 mil a R$ 10 milhões de faturamento por ano, e as outras pontas? As outras pontas representam dois terços da cadeia como um todo, não quero salvar só a minha folha de pagamento, as minhas lojas, quero salvar a folha de pagamento do meu colaborador, do meu fornecedor que está comigo há 36 anos, outro que está há 20, que está há 25, eles estão também nessa insegurança. Digo hoje para eles o seguinte: acho que quanto menor você é, mais fácil estão ficando as coisas, pelo menos até então. As ajudas estão focadas para aqueles menos favorecidos, mas e os mais favorecidos? Precisamos cuidar disso”.

O fundador da TNG cobrou que a receita prometida às empresas seja realmente repassada e afirmou que o País deverá passar por uma espécie de Plano Marshall, ou seja, um plano econômico com o objetivo de reconstruir a economia brasileira após o coronavírus. “O ministro, o presidente da Caixa Econômica, todos falam de bilhões, bilhões e mais bilhões. Cadê esses bilhões? O que eu ouço por aí, mesmo dos pequenos, é que quando eles vão ao banco pedir está travado. ‘Você precisa de garantia’. Que garantia? Como garantia? A gente já empenhou tudo que a gente tinha e mais um pouco, só se eu der meus braços, minha cabeça, minhas pernas de garantia. Nós vamos ter que passar em algum momento por uma situação dessa, pelo Plano Marshall. Parte desse dinheiro vai ter que ser a fundo perdido, as pessoas não vão conseguir talvez pagar isso, é um estrago de 30 dias”.

O presidente da Ablos relatou também que instituições financeiras estão aumentando os juros para tirar proveito da fragilidade econômica dos empresários neste momento. “Sabe o que eu conheço? Pessoas que estavam pagando um valor em juros e eles foram lá e dobraram o valor. Algumas instituições financeiras estão se valendo deste momento para conseguir benefício próprio. Eu tive uma situação dessa, quase que dobrou, foi 80% a mais do que era uma semana atrás. Se estão tomando dinheiro mais barato do que era antes, se o governo está sinalizando que vai ter o dinheiro mais barato, então por que o juro está mais caro?”.

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