Meirelles: ainda não pensamos em retaliação contra EUA

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou nesta quinta-feira que o governo brasileiro vai analisar os detalhes das tarifas anunciadas pelo Estados Unidos sobre aço e alumínio antes de decidir se adota eventuais medidas, ao mesmo tempo em que ressaltou que o protecionismo é negativo; "Medida protecionista, em geral, diminui a produtividade global", afirmou Meirelles em entrevista a jornalistas brasileiros, após reuniões em Nova York; "Isso é uma medida isolada dos Estados Unidos, não nos configura guerra global"

Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, durante coletiva de imprensa em Brasília, Distrito Federal 12/01/2018 REUTERS/Ueslei Marcelino
Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, durante coletiva de imprensa em Brasília, Distrito Federal 12/01/2018 REUTERS/Ueslei Marcelino (Foto: Aquiles Lins)

NOVA YORK (Reuters) - O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou nesta quinta-feira que o governo brasileiro vai analisar os detalhes das tarifas anunciadas pelo Estados Unidos sobre aço e alumínio antes de decidir se adota eventuais medidas, ao mesmo tempo em que ressaltou que o protecionismo é negativo.

"Medida protecionista, em geral, diminui a produtividade global", afirmou Meirelles em entrevista a jornalistas brasileiros, após reuniões em Nova York. "Isso é uma medida isolada dos Estados Unidos, não nos configura guerra global."

Na semana passada, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que planejava taxar pesadamente importação de aço e alumínio, causando reações negativas imediatas nos mercados financeiros com temor de que uma guerra comercial global possa surgir a partir daí.

Trump impôs nesta quinta-feira tarifas de 25 por cento sobre importações de aço e 10 por cento sobre importações de alumínio, mas isentou Canadá e México, recuando de promessas anteriores de tarifas sobre todos os países.

Outros países podem pedir isenção das tarifas, de acordo com o governo norte-americano, embora haja poucos detalhes sobre como seriam aplicadas essas exceções. De acordo com Meirelles, o governo brasileiro já está em contato com a administração Trump para obter informações.

"Precisa saber que negociação é essa, vão negociar o que?", afirmou o ministro. "Será analisado o que o Brasil tem a ganhar e o que tem a perder."

Antes do anúncio, o ministro disse que o governo brasileiro ainda não havia chegado ao ponto de pensar em retaliação contra os EUA, porque iria esperar para ver o plano norte-americano final.

Mais cedo, falando a jornalistas após evento em Nova York junto com Meirelles, o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira,acrescentou que o movimento dos EUA encoraja o Brasile outros países a avançarem com acordos comerciais.

O ministro da Fazenda reiterou a visão após o anúncio das tarifas e citou especificamente as negociações com a União Europeia, que podem avançar mais após a sobretaxa imposta pelos EUA.

"Isso (tarifas) de qualquer maneira é mais um incentivo importante para o avanço das nossas negociações com a União Europeia, mostra a necessidade de o Brasil desenvolver outros parceiros comerciais", afirmou Meirelles. "Isso reforça nossa negociação com a União Europeia porque aí reforça interesse dos dois lados, da União Europeia e do Mercosul."

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