No trimestre, Itaú Unibanco lucrou R$ 3,4 bilhões

No fim de março, a carteira de crédito do grupo era de R$ 434,2 bilhões, 8,4% maior que um ano antes. A previsão do banco é de crescimento de 11 e 14 por cento de seu estoque de financiamentos no acumulado de 2013; no banco de Roberto Setubal, a inadimplência caiu, apesar da gritaria contra a expansão do crédito

No trimestre, Itaú Unibanco lucrou R$ 3,4 bilhões
No trimestre, Itaú Unibanco lucrou R$ 3,4 bilhões

Por Alberto Alerigi Jr. e Guillermo Parra-Bernal

SÃO PAULO, 30 Abr (Reuters) - O Itaú Unibanco teve lucro praticamente estável no primeiro trimestre, com os gastos menores com a indimplência compensado a redução das margens na concessão de crédito, à medida que o banco migra para linhas de financiamento mais seguras.

O maior banco privado do Brasil anunciou nesta terça-feira lucro líquido de 3,472 bilhões de reais no período, 1,4 por cento maior do que o lucro de 3,426 bilhões de reais apurado no mesmo intervalo do ano passado.

O lucro recorrente, que exclui itens extraordinários, somou 3,512 bilhões de reais entre janeiro e março, praticamente estável ante os 3,544 bilhões de reais do primeiro trimestre de 2012, mas acima das estimativas. Onze analistas consultados pela Reuters esperavam, em média, lucro recorrente de 3,45 bilhões de reais.

"Os números são efeito de mudança do mix de carteira, em que mudamos de riscos maiores para menores", disse o diretor corporativo de controladoria do Itaú, Rogério Calderón, em teleconferência com jornalistas.

De fato, o banco viu uma queda de 10,8 por cento na margem financeira com clientes. Esse movimento refletiu não apenas a opção pelo foco em financiamentos mais seguros --e que oferecem margens menores--, como o imobiliário e o consignado, como também o baixo crescimento da carteira como um todo.

No fim de março, a carteira de crédito do grupo era de 434,239 bilhões de reais, 8,4 por cento maior que um ano antes. A previsão do banco é de crescimento de 11 e 14 por cento de seu estoque de financiamentos no acumulado de 2013.

Adicionalmente, a margem financeira com o mercado, que mostra o desempenho da tesouraria do banco, caiu 37,7 por cento na comparação anual, para 597 milhões de reais, pressionando a última linha do balanço.

Os resultados reforçaram tendência de fraqueza do lucro do setor bancário no país, que tem sofrido com a pressão do governo para reduzir os custos dos financiamentos, com a relutância dos consumidores endividados em tomar novos empréstimos e com dois anos de fraca atividade econômica.

Bradesco e Santander Brasil anunciaram na semana passada crescimento de carteira abaixo das expectativas para este ano, com expressiva queda de receita e das margens.

Em contrapartida, o foco do Itaú em linhas mais seguras também rendeu dividendos. O índice de inadimplência de operações vencidas há mais de 90 dias caiu a 4,5 por cento, menor nível desde o segundo trimestre de 2011. O indicador estava em 4,8 por cento no fim de 2012 e em 5,1 por cento no começo de 2012. O banco prevê que o índice fique entre 4 e 4,5 por cento este ano.

Com isso, as despesas com provisões no primeiro trimestre caíram 20,5 por cento para 4,939 bilhões de reais em relação aos 6,21 bilhões nos três primeiros meses de 2012, e recuaram 14 por cento ante 5,74 bilhões de reais no fim de 2012. O banco espera que as provisões fiquem entre 19 bilhões e 22 bilhões de reais em 2013, ante consenso de analistas, de 24 bilhões de reais.

"A compressão das margens com cliente deve continuar, mas as despesas menores com provisões será suficiente para compensar", disse Calderón.

O spread de crédito líquido --a diferença entre os custos de captação e de empréstimo do banco, menos os gastos com provisões para calotes -- ficou em 7 por cento no primeiro trimestre, ante 6,9 por cento no trimestre anterior e 7,3 por cento em igual etapa de 2012. Agora, esse índice deve ser estabilizar ou crescer, disse o executivo.

"Os resultados do Itaú são consistentes com nossa visão de que o banco deve ser capaz de compensar a compressão da margem líquida de juros com a melhoria da qualidade de ativos e ganhos de eficiência operacional", disse Mario Pierry, chefe de pesquisa de renda variável do Deutsche Bank Securities.

A melhora da qualidade da carteira do Itaú não foi bastante, porém, para impedir queda no retorno sobre patrimônio líquido médio, um indicador da rentabilidade de um banco, que recuou para 18,9 por cento, ante 19,3 por cento no mesmo período de 2012.

A expectativa do banco é que as menores margens com crédito sejam em parte compensadas pelo aumento das receitas com prestação de serviços e de tarifas bancárias, que tiveram alta anual de 18,8 por cento no primeiro trimestre, para 5,12 bilhões de reais.

A reação do mercado aos números do Itaú foi desencontrada. Desde o começo do pregão, a ação do banco alterna alta e queda. Às 14h10, o papel subia 0,7 por cento. No mesmo instante, o Ibovespa subia 1,68 por cento.

Em relatório, os analistas do BTG Pactual, Marcelo Henriques e Eduardo Rosman elogiaram a performance do banco no controle de custos e redução da inadimplência, mas ressaltaram que o crescimento do crédito veio abaixo do esperado, assim como os resultados com tesouraria.

"Reiteramos nossa visão cautelosa sobre o setor bancário brasileiro, mantendo Itaú como nosso preferido entre os grandes", disseram os analistas do BTG.

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