Nogueira Batista diz que Ilan liderou campanha para afastá-lo do banco dos Brics

Paulo Nogueira Batista Jr publicou nesta sexta um artigo em que conta sua versão sobre a saída do Banco dos Brics e acusa o presidente do Banco Central de ter pedido sua cabeça; "Fui afastado do cargo que ocupava aqui em Xangai no Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), mais conhecido como Banco dos Brics. (...) O líder da operação foi o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn. Mal conheço o Goldfajn, mas, por motivos não totalmente claros, ele meteu na cabeça que precisava forçar a minha saída. Saiu dos seus cuidados como autoridade monetária para liderar uma verdadeira perseguição contra mim", escreve 

Paulo Nogueira Batista Jr e Ilan Goldfajn
Paulo Nogueira Batista Jr e Ilan Goldfajn (Foto: Giuliana Miranda)

247 - Paulo Nogueira Batista jr. decidiu quebrar o silêncio sobre sua saída do banco dos BRICs. Em artigo publicado nesta sexta em O Globo, ele relata sua versão dos fatos e acusa o presidente do Banco Central do Brasil de ter pedido sua cabeça.

"Fui afastado do cargo que ocupava aqui em Xangai no Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), mais conhecido como Banco dos Brics. Escrevo em plena mudança, em meio a caixas e caixotes. Estou voltando para o Brasil, depois de mais de dez anos no exterior.

(...)

O líder da operação foi o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn. Mal conheço o Goldfajn, mas, por motivos não totalmente claros, ele meteu na cabeça que precisava forçar a minha saída. Saiu dos seus cuidados como autoridade monetária para liderar uma verdadeira perseguição contra mim.

Para me demitir havia, porém, uma dificuldade. Tinha mandato até 2021 e não podia ser simplesmente afastado. Era preciso demonstrar que eu quebrara o código de conduta do banco.

Colocaram então pressão sobre o presidente do NBD e induziram-no a abrir contra mim dois processos administrativos. O primeiro teve origem na minha recomendação de demitir um funcionário brasileiro, Sergio Suchodolski, que tivera desempenho pífio no período probatório. Esse funcionário foi instado a entrar com queixa contra mim, com alegações de assédio moral. A acusação não prosperou, pois não havia evidências. A única coisa indubitável era a péssima atuação do tal brasileiro.

O que prosperou foi uma segunda acusação: a de que eu teria atentado contra o código de conduta em alguns artigos publicados nesta coluna. A acusação era ridícula. Mas o advogado contratado pelo banco para investigar o assunto concluiu que em alguns poucos artigos eu quebrara a neutralidade política e comentara assuntos político-partidários. Não havia base para tal conclusão, que desmontei por escrito, mas a questão dos artigos era mero pretexto.

Enfim, passou. Ficou uma sensação de decepção e sonho interrompido. É um sonho perfeitamente possível esse de criar um novo banco de desenvolvimento de alcance global, lançado por países emergentes, que poderia em alguns anos rivalizar com o Banco Mundial e outros bancos controlados pelos países desenvolvidos."

 

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