Odiosamente reféns

Ou sobre como a qualidade da telefonia brasileira é um pé no saco

Tomo conhecimento de que a empresa de telefonia TIM é impedida de realizar a venda de novas linhas no Estado de Pernambuco. Há rumores de que a mesma coisa aconteceu no Ceará. O motivo: má qualidade nos serviços lindamente anunciados e odiosamente prestados. Ponto para o consumidor!

Fico imaginando, então, quantos usuários insatisfeitos foram necessários para desencadear esta decisão judicial: dez mil?, cinquenta mil?, cem mil?

Não sabendo a resposta, reflito se é realmente necessário o protesto de uma pequena multidão de consumidores para que medidas similares à da Justiça pernambucana sejam desencadeadas pelo resto do país. Não bastaria um número bem menor para que a voz do povo fosse de fato ouvida pelos órgãos de defesa do consumidor? Quem sabe dois ou três apenas?

Acontece que sou usuário da “TIM”. E também da “Oi”. Ambas possuem pacotes de serviços atraentes para inveterados “ligadores” e navegantes da web como eu. Utilizo a TIM, aqui na Bahia, que oferece o serviço “Infinity Pré” que promete ligações locais e DDD a R$ 0,25 e acesso a internet a R$ 0,50. Mas, como brasileiro cheio de boa fé, como se não bastasse a feroz enormidade de impostos embutidos em tudo que pagamos, não receber de fato o serviço com a qualidade tão esperada e que é tão apregoada nas propagandas só me traz frustração e a indigesta impressão de ser roubado diariamente ao ver meus créditos escoarem pelo ralo sem serem devidamente utilizados. E o pior: em como odiosamente nos tornamos reféns das empresas de telefonia (aqui faço alusão apenas à TIM e à Oi, das quais sou usuário!), que, a despeito de prometer, prometer e prometer serviços de qualidade indiscutível, só trazem mesmo é dor de cabeça. Um pé no saco!

Imagine fazer uma ligação – para outro aparelho TIM, por acaso! – e no meio da conversa a ligação cai. Você tenta de novo, começa a falar e cai novamente! Qualidade que é bom não existe, o que não acontece com a cobrança dos créditos, líquida e certa como um cossaco russo. Isso quando sequer é possível completar a chamada e ainda é cobrada a ligação que nem foi concluída! Esta é a realidade da TIM, pelo menos na Bahia...

Ler a notícia sobre o embargo das vendas da TIM foi como ver minha voz de consumidor indignado ser expandida no meio midiático. Mas ainda é pouco, infelizmente. A ironia nisso tudo, porém, é que você e eu, que paga por estes serviços, queremos tão somente utilizar com a qualidade prometida o acesso pelo qual pagamos. O que adianta pagar R$ 0,50 ao dia de acesso se basta dar um passo e não há mais sinal para manter a conexão? Acredito que não é necessária a opinião de um apedeuta no assunto como eu para saber que, quanto maior a quantidade de chips vendidos, em igual proporção deve ser o investimento na expansão e melhoria nas áreas de cobertura telefônica da empresa em questão. Então, qual o problema, afinal?

Só posso concluir que ou a TIM (e isso vale para todas as prestadoras de serviços telefônicos) sofre de “obtusidade córnea” ou, de fato, é a “má fé cínica”, no dizer do escritor lusitano Eça de Queiroz.


Pê Sousa é natural de Floriano-PI, mas há quinze anos radicou-se em Juazeiro-BA. Posta crônicas no blog abuscademimmesmo.wordpress.com, as quais foram reunidas num livro ainda não publicado, "A Busca de Mim Mesmo"

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