Risco de calote no BNDES aumenta

A crise econômica e a Lava Jato provocaram uma deterioração da carteira de crédito do BNDES nos últimos dois anos; em 2014, 71% das operações financeiras do banco eram classificadas com nota “AA” ou “A”, que significam um risco muito pequeno de calote; no ano passado, esse número caiu para 42%; entre 2015 e 2016, as provisões para risco de crédito do banco subiram 524%, de R$ 1,468 bilhão para R$ 9,156 bilhões.

Rio de Janeiro - A economista Maria Silvia Bastos Marques, toma posse como nova presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no edifício-sede, centro do Rio (Tomaz Silva/Agência Brasil)
Rio de Janeiro - A economista Maria Silvia Bastos Marques, toma posse como nova presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no edifício-sede, centro do Rio (Tomaz Silva/Agência Brasil) (Foto: Giuliana Miranda)

247 - A situação do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) pode se complicar no futuro.

A crise econômica e a Lava Jato provocaram uma deterioração da carteira de crédito do BNDES nos últimos dois anos. Em 2014, 71% das operações financeiras do banco eram classificadas com nota “AA” ou “A”, que significam um risco muito pequeno de calote. No ano passado, esse número caiu para 42%. Entre 2015 e 2016, as provisões para risco de crédito do banco subiram 524%, de R$ 1,468 bilhão para R$ 9,156 bilhões.

As informações são de reportagem de Fernando Nakagawa no Estado de S.Paulo.

"A reavaliação da carteira foi feita após o banco verificar um aumento nos atrasos de pagamentos, principalmente depois da deflagração da Lava Jato, em 2014. No fim de 2016, quase 60% dos financiamentos, ou R$ 196,4 bilhões, tinham notas entre “B” e “H” – o que significa atrasos entre 15 dias a mais de 180 dias. Dois anos antes, essa fatia era de 30%.

Nos grandes bancos comerciais, privados ou estatais, essa relação é bem diferente. Entre os maiores nomes do setor, o Safra tem a melhor composição com 89,5% das operações “AA” e “A” e apenas 10,5% com B ou pior. Itaú e Santander têm mais de 70% das transações com as melhores notas, enquanto Caixa, Bradesco e Banco do Brasil operam na casa de 60% do crédito em “AA” e “A”, segundo dados declarados ao Banco Central.

O professor de finanças do Insper, Ricardo José de Almeida, diz que a deterioração da carteira do BNDES é esperada em um momento como o atual. 'Alguns dos setores com grande exposição têm reduzida margem de lucro. Diante da recessão, é muito fácil cair no prejuízo, e o caixa aperta', diz."

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