Servidores rejeitam 5% de reajuste proposto pelo governo Bolsonaro

Categorias criticam índice, que não repõe perdas, e também a maneira desrespeitosa com o trabalhador, que não é recebido para dialogar

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(Foto: Divulgação/Fonasefe)


Cida de Oliveira, da RBA - Servidores federais rejeitam o índice de 5% que o governo de Jair Bolsonaro pretende conceder como reajuste salarial a partir de julho, em uma decisão de bastidores, sem antes ter se reunido com as lideranças sindicais para discutir a reposição. O reajuste ainda não foi anunciado oficialmente.

Para a Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário Federal e Ministério Público da União (Fenajufe), a proposta de Bolsonaro aprofunda o processo de corrosão da renda da categoria, com o achatamento de salários em momento de crescimento dos preços do aluguel e a inflação dos alimentos e combustíveis.

“O salário dos servidores está desvalorizando ano a ano com o aumento da inflação, que está entre os maiores índices do século 21, comparável aos período 2002/2003 e 2015/2016. Com os gastos básicos subindo e o salário derretendo, as condições de vida dos servidores estão piorando, junto com a insegurança para exercer as atividades durante a pandemia e as ameaças das ‘granadas’ de um governo que classifica quem trabalha no setor público como inimigo”, disse o go de formação política e organização sindical da Fenajufe Thiago Gonçalves.

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A mobilização dos servidores cresceu no final do ano passado e diversas categorias paralisaram as atividades no dia 16 de março e também durante a mobilização do Ocupa Brasília, na Praça dos Três Poderes no dia 30 de março. Em abril, diversas fizeram greves e paralisações.

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“Não queremos privilégios nem aumentos salariais em um momento de profunda crise econômica e social. Defendemos que seja feita a recomposição inflacionária de 19,99%, referente às perdas inflacionárias desde 2019. A Fenajufe, em nome dos servidores da União do Judiciário de todo Brasil, procurará o Presidente do STF e demais Ministros da Corte, mais uma vez, para expor a situação e aprovar uma recomposição que esteja de acordo com a Constituição Brasileira”, disse o dirigente.

'Reajuste de 5% é ridículo'

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Os servidores federais da educação também rechaçaram os 5% de Bolsonaro. O coodenador geral do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe), David Lobão, disse que, primeiro, porque a proposta foi feita de um modo “nada republicano e nem aceitável”, o que pode agravar ainda mais o tipo de relação que o governo de Jair Bolsonaro tem com os trabalhadores, segundo o dirigente. “Os servidores querem sentar na mesa e apresentar propostas para serem discutidas. Nós estamos o tempo todo na porta do Minitério pedindo para que se abra uma mesa de negociação. O mais correto seria o governo chamar a gente e colocar na mesa a proposta que apresentou, para dialogarmos, discutirmos, levarmos pra base por mais ridícula que ela seja, disse Lobão.

Ele destacou também a insuficiência dos 5%, já que a inflação acumulada no governo Bolsonaro ultrapassa em muito a casa dos 20%, quatro vezes mais que a proposta. “5% de reposição de perda? A inflação dos três primeiros meses de 2022 já chega a 3,2%. Vamos chegar a 5% em quatro meses. Depois de cinco anos de congelamento, é justo que o trabalhador aceite de bom grado 5%? Estamos pedindo ao governo neste momento que nos receba em mesa de negociação e nos apresente uma proposta, que seja esses míseros 5%, que nao atende às necessidades básicas dos servidores. Faremos o debate na base e daremos um retorno para o governo”, disse Lobão.

A instatisfação com os 5% tomou conta também dos delegados da Polícia Federal. A categoria se disse “indignada” com a “quebra desleal de um compromisso” por parte de Bolsonaro, mas não deu detalhes. No começo do ano, de olho no apoio desses servidores, o presidente falou em reajuste, o que colocou mais lenha na fogueira da mobilização das demais categorias federais.

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Para arcar com o reajuste nesse patamar de 5%, o governo precisará de R$ 6,3 bilhões em 2022. O orçamento, aprovado no final do ano passado, incluiu na versão final uma reserva de R$ 1,7 bilhão para essa finalidade. Para garantir essa diferença, Bolsonaro terá de negociar ainda mais com o Congresso.

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