Sinal amarelo na economia

Pela primeira vez, o governo Dilma foi criticado por aliados. Nada muito sério, mas foi um sinal

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A presidente Dilma Rousseff obteve, nesta semana, uma importante vitória política. Sancionou a renovação das concessões de energia elétrica e deverá conseguir a prometida redução de 20% nas contas de luz. Também nesta semana, foi divulgada uma pesquisa que aponta que as taxas de juros no Brasil são as menores da série histórica. O governo Dilma tem uma agenda econômica clara, que é a redução do Custo Brasil. Não apenas para as empresas, mas também para as famílias, abrindo espaço para a expansão do consumo. E graças a essa agenda ela tem aprovação superior a 70%.

Isso significa que o jogo de 2014 já está ganho? Não necessariamente. A cada segunda-feira, sempre que se divulgam os números do boletim Focus, as previsões de crescimento da economia para 2013 têm sido rebaixadas pelo mercado. Desta vez, de 3,26% para 3,2%. Pode parecer pouco, mas já houve um tempo em que se falava em 4,5%. O fato concreto é que, apesar da redução dos custos de produção, seja na energia ou no lado financeiro, o chamado "espírito animal" dos empresários ainda não foi despertado. Talvez seja o contexto internacional, talvez o esgotamento da aposta no consumo interno, mas os empresários ainda não parecem tão confiantes como no passado recente.

Diante desse quadro, a presidente Dilma, pela primeira vez, foi criticada por dois aliados, que, no passado, representavam escolas de pensamento à esquerda e à direita. Carlos Lessa, professor da UFRJ e ex-presidente do BNDES, tocou num ponto central, que é a confiança. Se a Petrobras, maior empresa brasileira, está pisando no freio e cortando investimentos, por que o dono da lanchonete da esquina deveria apostar no futuro? Delfim Netto, por sua vez, criticou o uso de recursos do Fundo Soberano para cumprir a meta fiscal – quando seria muito mais simples não cumpri-las, num ano de retração internacional. Até porque, nos dez anos de governo Lula e Dilma, a dívida interna caiu de quase 60% do PIB para cerca de 35% do PIB.

Críticas de aliados, quando não contaminadas pela disputa política e, portanto, bem-intencionadas, são um importante sinal de alerta para o Planalto. Elas indicam que é preciso, urgentemente, conter a deterioração das expectativas antes que um jogo que parecia ganho vá para a prorrogação ou para os pênaltis.

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