Só a Petrobrás pode ajudar a indústria naval brasileira a crescer novamente, diz especialista

"A indústria naval depende de demanda perene, e a única empresa hoje que pode dar uma demanda perna para a indústria naval brasileira é a Petrobrás", afirma Sérgio Bacci, vice-presidente executivo do Sinaval

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(Foto: Divulgação)


Sputnik - A única empresa que pode ajudar a recuperar a indústria naval brasileira é a Petrobrás: é o que afirmou Sérgio Bacci, vice-presidente executivo do Sinaval (Sindicato Nacional da Indústria da Construção Naval e Off Shore), em entrevista à Sputnik Brasil nesta quarta-feira (27). 

Segundo a Sinaval, o Brasil teve queda de 81,8% dos postos de trabalho na indústria naval desde 2014. Eram 82 mil empregos no setor em dezembro daquele ano; hoje, são cerca de 15 mil. A explicação para essa queda tão grande é a mudança de postura da Petrobrás nos últimos anos: antes, a estatal encomendava embarcações brasileiras, mas nos últimos anos passou a fazer importações de países asiáticos.

"Se a Petrobrás, a maior empresa brasileira, não induzir a demanda da indústria naval brasileira, dificilmente a gente vai ter uma industria pujante. […] A indústria naval depende de demanda perene, e a única empresa hoje que pode dar uma demanda perna para a indústria naval brasileira é a Petrobrás", diz Bacci.

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Por isso, para reverter a situação, Bacci só vê uma solução: a volta da demanda da Petrobras pelas embarcações nacionais. Em 8 de março, o presidente Jair Bolsonaro oficializou a troca no comando da estatal, substituindo Roberto Castello Branco pelo general Joaquim Silva e Luna. Bacci está confiante de que esta mudança mude o atual curso da indústria naval no Brasil.

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"A gente tem conversado isso já há sete anos com a Petrobrás e ainda não fomos felizes no nosso intento. Mas eu tenho certeza agora com a mudança no presidente da Petrobras, um presidente nacionalista, ele vai ver a indústria naval de outro modo, que pode gerar muito emprego, que é o que o país está precisando hoje", afirma o especialista.

Além do retorno da Petrobras, Bacci cobra também incentivos nacionais para que o setor retome o crescimento. Segundo o especialista, é comum que governos, bancos e empresas patrocinem as indústrias navais pelo mundo.

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"Na China, o governo é sócio dos estaleiros. No Japão, a linha de financiamento tem taxa de juros muito baixas. Nos Estados Unidos, os navios são feitos lá, em estaleiro norte-americano, tripulado por norte-americano, de bandeira norte-americana", diz Bacci.

De acordo com a Marinha do Brasil, a Amazônia Azul abriga as reservas do pré-sal e é de onde sai 75% do petróleo, 75% do gás natural e 45% do pescado produzido no país. Além disso, é através do litoral que mais de 95% do comércio exterior brasileiro é escoado. Nesta área, existem recursos naturais e uma rica biodiversidade ainda inexplorados pelo país. Desta forma, urge a necessidade de proteção naval desta região. 

No entanto, empresas navais não estão construindo nenhuma embarcação em solo nacional. A única movimentação que se vê não estaleiros é para a realização de reparos na frota já existente. Segundo Bacci, o país não deve considerar a possibilidade de investimento estrangeiro no setor.

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"Nenhum investidor vai querer investir no Brasil se não tiver demanda. Só vai investir no Brasil se ele vir uma oportunidade de negócio", finaliza Bacci.

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