Tombini: BC sinalizou que Selic de um dígito é possível

O presidente do Banco Central disse ainda que compartilha da viso do mercado de que a taxa neutra de juro no Brasil deve continuar a cair

Tombini: BC sinalizou que Selic de um dígito é possível
Tombini: BC sinalizou que Selic de um dígito é possível (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, deu sinais, hoje, de que o ciclo de relaxamento monetário deve continuar. "O BC sinalizou recentemente que há probabilidade de que tenhamos no futuro uma taxa de política monetária (Selic) de um dígito; essa estratégia não se alterou até o dia de hoje", afirmou. Tombini disse ainda que compartilha da visão do mercado, consultado na pesquisa semanal Focus, feita pelo BC com instituições financeiras, de que a taxa neutra de juro no Brasil deve continuar a cair. "Esse processo não se esgotou", disse o presidente do BC.

Segundo apontou a pesquisa, a taxa de juros neutra no Brasil caiu pelo menos 1 ponto porcentual em relação ao levantamento feito há pouco mais de um ano. "O importante não são os números, mas a tendência, que demonstra contínua melhora dos fundamentos da economia brasileira", disse Tombini, que está na Cidade do México participando de reuniões do G-20 juntamente com o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

De acordo com Tombini, a economia brasileira tem mostrado cada vez mais a capacidade de reagir a choques externos, além de um continuo processo de redução de vulnerabilidade externa e na consolidação fiscal. "Há uma série de fatores de natureza estrutural que vêm evoluindo positivamente na economia brasileira", disse.

Tombini declarou que a tendência vista pelo mercado de queda da taxa neutra nos próximos dois anos é "compatível e consistente com nossa estratégia desde agosto, de redução da taxa de política monetária por um lado, e também consistente ao tempo em que a inflação continua no processo de convergência à meta de inflação". Ele ressaltou, porém, que a pesquisa tem pouco impacto na estratégia de política monetária de curto prazo. "Mas sem duvida é uma informação relevante". O Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne novamente para decidir sobre a taxa Selic nos dias 6 e 7 de março.

Reservas

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, não comentou especificamente sobre os leilões de câmbio realizados na semana passada, mas reafirmou que o BC continua com sua estratégia de acumulação de reservas. "Nada mudou", garantiu o presidente, ressaltando que as reservas internacionais do País estão em um nível "moderado" em relação ao tamanho da economia brasileira e mesmo em relação a países comparáveis ao Brasil.

"O BC nunca abandonou essa estratégia, mesmo nos momentos em que saiu do mercado nos últimos meses. O BC sempre confirmou que, as condições de mercado permitindo ou exigindo, o Banco Central interviria e continuaria com a acumulação de reservas". Tombini se encontra no México para a reunião do G-20, que reúne os países com as 20 maiores economias do mundo.

Tombini disse que o BC vai seguir atuando sempre que "entender que é necessário", seja no mercado à vista ou, se for preciso, em outros segmentos do mercado de câmbio, como de derivativos. Na semana passada, o BC fez cinco leilões de câmbio, entre a quarta-feira e a sexta-feira, e gerou dúvidas em relação à sua estratégia de intervenções.

O presidente do BC e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, devem retornar ao Brasil no início da noite de hoje, segundo as assessorias de imprensa de ambos.

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