Tombo da Cemig assusta o mercado financeiro

Ações da empresa caíram 14% diante do temor da revisão tarifária da companhia; Aneel, que regula o setor, reduziu a base de remuneração da companhia mineira de energia

Tombo da Cemig assusta o mercado financeiro
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SÃO PAULO (Reuters) - O principal índice brasileiro de ações fechou a quarta-feira no vermelho, pressionado pelo tombo da estatal mineira de energia Cemig, que teve sua pior queda diária em mais de seis meses, diante de temores sobre a revisão tarifária da companhia.

O Ibovespa caiu 0,59 por cento, a 56.030 pontos, na contramão dos mercados externos. O índice chegou a operar abaixo dos 56 mil pontos, mas recuperou terreno nos ajustes finais. O giro financeiro do pregão foi de 8 bilhões de reais.

"A preocupação maior é com o cenário interno", disse o sócio-diretor da Título Corretora, Márcio Cardoso, citando que as incertezas relacionadas ao reajuste das tarifas elétricas tiraram o ânimo de investidores nesta sessão.

"O governo age de uma maneira que deixa o investidor inseguro", avaliou.

A notícia de que a Aneel, órgão regulador do setor elétrico, reduziu o valor da base de remuneração da Cemig dentro do processo de revisão tarifária da distribuidora foi o estopim para a forte venda das ações nesta sessão.

O diretor financeiro da Cemig, Luiz Fernando Rolla, tentou acalmar investidores nesta tarde, dizendo em teleconferência que não vê surpresas na base de remuneração e que a revisão da Aneel não altera as previsões para a companhia.

Mas não adiantou. A preferencial da Cemig afundou 13,95 por cento, a 22,20 reais --foi a maior queda diária desde setembro do ano passado, quando o governo anunciou a renovação antecipada e condicionada de concessões elétricas.

Além do potencial impacto negativo nos resultados operacionais da Cemig, o Credit Suisse destacou em nota enviada a clientes que a notícia reacendia também "incertezas com potenciais novidades negativas para o setor."

Ainda dentre as principais baixas no setor, destaque para Light e a preferencial da Eletrobras, que caíram 6,2 por cento e 4,33 por cento, respectivamente.

Também dentre as principais baixas, destaque para a mineradora MMX, do grupo de Eike Batista, que afundou 9,81 por cento, e para a companhia aérea Gol, que perdeu 5,92 por cento.

A preferencial da Petrobras também fechou o dia no vermelho, com queda de 1,31 por cento, a 18,85 reais.

O recuo do Ibovespa só não foi maior devido ao avanço das ações preferenciais da mineradora Vale, que subiram 2,04 por cento, e das ordinárias da petrolífera OGX, que tiveram alta de 4,38 por cento, a 2,62 reais.

"É só um respiro após o tombo recente", disse o estrategista-chefe da SLW Corretora, Pedro Galdi, sobre as ações da OGX. Os papéis acumulam queda de mais de 40 por cento no ano.

Na cena externa, o dia foi de ganhos após o Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, ter mantido seu plano para estimular a economia e diante de esperanças de que as autoridades europeias conseguirão conter a crise financeira em Chipre.

O referencial norte-americano S&P 500 subiu 0,39 por cento, enquanto o europeu FTSEurofirst 300 teve alta de 0,33 por cento.

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