Brasil Paralímpico torna-se potência de inclusão social e cidadania

Após o encerramento dos Jogos de Tóquio, os atletas que representaram o país já conquistaram 373 medalhas na história. Ao todo, foram 109 de ouro, 132 de prata e 132 de bronze

(Foto: Matsui Mikihito/CPB | Ale Cabral/CPB | Miriam Jeske/CPB | Takuma Matsushita/CPB)
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Por Carlos Borges e Paulo Campos* - Desde a sua primeira participação na história dos Jogos Paralímpicos, realizados em Heidelberg, na então Alemanha Ocidental, em 1972, até a última edição, em Tóquio-2020, o Brasil mostrou avanços significativos para chegar ao Japão, entre as principais potências paralímpicas do mundo.

Após o encerramento dos Jogos de Tóquio, os atletas que representaram o país já conquistaram 373 medalhas na história. Ao todo, foram 109 de ouro, 132 de prata e 132 de bronze.

Segundo o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), a primeira medalha conquistada pelo Brasil aconteceu quatro anos depois da sua estreia nos Jogos, em 1976, em Toronto, no Canadá, onde a dupla formada por Robson Sampaio de Almeida e Luiz Carlos da Costa trouxe na bagagem prata no Lawn Bowls, modalidade semelhante a bocha e praticada na grama. 

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De lá para cá, ainda conforme divulgado pelo CPB, a delegação brasileira subiu ao pódio em quase todas as edições – a exceção foi apenas nos Jogos de Arnhem-1980. A outra participação do país em que não houve conquistas ocorreu apenas na sua estreia em 1972. 

Em quantidade de medalhas, antes dos magníficos resultados de Pequim-2008, na China, a principal participação do Brasil aconteceu nos Jogos do Rio-2016, quando foram conquistados 72 pódios no total, sendo 14 ouros, 29 pratas e 29 bronzes.

 Gráfico: site CPB

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RESULTADO DO CPB – TODAS AS PARALÍMPIADAS

 

OURO

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PRATA

BRONZE

TOTAL

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1976

0

1

 

1

1984

7

17

4

28

1988

4

9

14

27

1992

3

0

4

7

1996

2

6

13

21

2000

6

10

6

22

2004

14

12

7

33

2008

16

14

17

47

2012

21

14

8

43

2016

14

29

29

72

2020

22

20

30

72

TOTAL

109

132

132

373

A delegação brasileira subiu ao pódio em quase todas as edições – a exceção foi apenas nos Jogos de Arnhem-1980. A outra participação do país em que não houve conquistas ocorreu apenas na sua estreia nos Jogos, em 1972. 

As conquistas tiveram um grande salto a partir de 2003, no Governo Lula, quando a Direção da Caixa Econômica Federal, à época, tomou a decisão de patrocinar os atletas paralímpicos do Brasil. Foi um momento emocionante à época, pois foi solicitado um patrocínio para um tornei de tênis de mesa em Brasília, com a Caixa propondo patrocinar todas as modalidades. O presidente do CPB, Sr. Vidal, se emocionou já que até então não havia um Patrocinador Master e de Primeira linha, pois as Empresas não queriam associar suas marcas a algo vinculado a deficiência. A estratégia acertada da Caixa levou a que várias empresas procurassem o Comitê Paralímpico Brasileiro, passando desde então a patrocinar atletas de destaques para divulgarem suas marcas.

No bojo do patrocínio estavam incluídos salários aos atletas de altos rendimentos, veiculação em canais de televisão, começando pelo SporTV. Além da mídia espontânea. Inclusive, pela primeira vez os Atletas puderam se comunicar diretamente do local dos jogos com os seus familiares.

Destacamos a importância do locutor esportivo, radialista e apresentador de televisão, Luciano do Valle, que nos deixou precocemente em 19 de Abril de 2014. Ele veio a torna-se, por indicação dos Atletas, o Patrono dos mesmos.

Um dos destaques dessa parceria Caixa/Loterias Caixa/CPB foi a criação do Circuito Loterias Caixa de Natação e Atletismo em 2005, realizado anualmente, entre os Jogos Parapanlímpiadas e as Paralímpiadas. Até então, os atletas voltavam desses eventos e ficavam sem atividade nacional. Essa estratégia fez surgir vários talentos em vários Estados. Somente para citar alguns: Daniel Dias, André Brasil e Teresina Guilhermina.

Registramos que essa ação da Caixa, somada aos recursos das loterias, através da lei Agnelo-Piva, ao CPB alavancou um salto no desempenho dos atletas brasileiros nos eventos nacionais e internacionais. 

Entre os anos de 2001 a Junho de 2021 foram R$ 1.066,49 Bilhão de Reais (Fonte: Relatórios Loterias Caixa). A partir de 2003, com o Patrocínio da Caixa e a descoberta pela sociedade de que um percentual das loterias se destinava ao CPB, na há dúvidas de que tal fator tem sido determinante para a melhoria da arrecadação das loterias da Caixa.

Segue alguns números para melhor visualizar esse patrocínio em resultados/medalhas: de 1976 a 2016 foram 301 Medalhas, sendo 87 de ouro; de 2004 a 2016(Governos do PT) foram 195 Medalhas (64.78% de todas as Medalhas do período), sendo 65 de ouro (74.7% do período). 

Nominamos alguns atletas desse período de 2004 a 2016, que fizeram história ou ainda continuam fazendo: Clodoaldo Silva, Ádria Santos, André Brasil, Teresina Guilhermina, Antonio Tenório,Daniel Dias;,Sueli, Rosinha, Petrúcio Ferreira, Carol Santiago, Alan Fonteneles,Matheus Rheine, entre tantos outros atletas paralímpicos que orgulham a nossa pátria, a do amor, do não preconceito,  da superação, da solidariedade e da tolerância.

A decisão da CAIXA de patrocinar o Comitê Paralímpico, que se tornou referência mercadológica à época, rendeu reconhecimento do público em geral, em especial pelo segmento de pessoas portadoras de deficiência, não apenas pelos resultados imediatamente obtidos, como também pela quebra de paradigmas, uma vez que os patrocínios até então existentes tinham um caráter muito mais “filantrópico” do que um efetivo investimento em marketing e talentos.

A visibilidade obtida pelos paralímpicos ficou muito patente quando, em 2004, a delegação brasileira foi recepcionada oficialmente no Palácio do Planalto pelo Presidente Lula e Ministros, tanto na despedida da equipe na saída para Atenas(Grécia), quanto no retorno dos Campeões ao Brasil. O que virou rotina, inclusive com direito a desfile em carro de bombeiros, tanto em São Paulo quanto nas cidades de origem de cada um dos “medalhados”.  Na chegada dos atletas em Guarulhos(SP), a equipe paraolímpica foi recebida pelo Governador Geraldo Alckmin (PSDB) e a Prefeita Marta Suplicy (PT). Não teve espaço para diferenças ideológicas, diante do fato heroico desses atletas com o espírito de superação de cada um.

O reconhecimento público passou a crescer cada vez mais. O que era facilmente notado na importância atribuída pela população em geral às palestras ministradas por vários paraolímpicos no Brasil, sob o patrocínio das Loterias Caixa.

 Os resultados do patrocínio das loterias abriram as portas para que outras empresas resolvessem investir nos paralímpicos, fato esse que foi e é de suma importância para o desporto nacional.

Não poderíamos encerrar esse texto, sem enaltecer a visão estratégica que tiveram os governos do PT em relação ao esporte, e muito especialmente ao esporte paralímpico. Infelizmente, no atual governo do Bolsonaro o esporte e a cultura foram relegados ao uns puxadinhos em outros ministérios.

As 72 medalhas que os paraolímpicos conquistaram nas Paralímpiadas em Tóquio no Japão, enchem de orgulho o povo brasileiro e renovam a certeza de que continuarão a fazê-lo de forma magnifica. Aliás, PARIS é logo ali. Viva o poder da superação! Viva os atletas paralímpicos!

Carlos Borges é aposentado e Economista

Paulo Campos é aposentado e Advogado.

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