A vez do carro "made in Brazil"

Setor automobilístico continua em alta, mas alta da moeda americana derruba vendas de importados

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Mariana Branco
Repórter da Agência Brasil

Brasília – O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, disse que, apesar dos temores de desaceleração da economia, o setor está otimista com relação às vendas de carros em 2013. "A Anfavea não está na onda de mau humor vigente", declarou. Segundo ele, os números computados pela entidade em julho apontam que as vendas de veículos no fechamento do mês podem superar a média mensal de 300 mil unidades do primeiro semestre.

De acordo com dados da Anfavea, nos primeiros seis meses deste ano 1,85 milhão de carros foram emplacados. O número superou o recorde do primeiro semestre de 2011, que teve 1,73 milhão de emplacamentos. Na contramão dos resultados da indústria doméstica, a Associação Brasileira de Empresas Importadoras de Veículos Automotores (Abeiva) divulgou esta semana que as importações de veículos caíram 23% de janeiro a junho de 2013 na comparação com o mesmo período do ano passado. Os carros importados estão sendo impactados pela valorização do dólar, que tem fechado na casa dos R$ 2,20.

Moan deu as declarações em visita ao Ministério da Fazenda para reunião com o secretário da Receita Federal, Carlos Alberto Barreto. Segundo o presidente da Anfavea, o encontro foi para discutir ajustes na regulamentação do Inovar-Auto, programa do governo que concede créditos para serem abatidos no pagamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) mediante ações da indústria como o investimento em pesquisa e na fabricação de carros menos poluentes.

De acordo com o presidente da Anfavea, há necessidade de definir a forma de contabilização dos créditos para investimentos na área de pesquisa e tecnologia. "Estamos propondo a apropriação do crédito de IPI com dois meses de defasagem. No próprio mês, não dá para saber com exatidão qual foi o valor do investimento [em pesquisa]", disse. De acordo com ele, desde que o Inovar-Auto entrou em vigor, o setor vem enviando o relatório dos investimentos nesse prazo de dois meses sem ter um arcabouço legal que respalde a prática. Segundo o empresário o governo foi receptivo à sugestão. "O programa [Inovar-Auto] está funcionando desde janeiro, com algumas regulamentações faltando", ressaltou Luiz Moan.

Efeito-dólar
Venda de carros importados cai 23% no primeiro semestre

Flávia Albuquerque, da Agência Brasil – As importações de veículos caíram 23% de janeiro a junho de 2013 na comparação com o mesmo período do ano passado. No primeiro semestre do ano foram emplacados no país 54.506 automóveis, contra os 70.963 registrados no mesmo período do ano passado, de acordo com balanço divulgado pela Associação Brasileira de Empresas Importadoras de Veículos Automotores (Abeiva).

Na comparação com junho de 2012, o emplacamento de importados caiu 14,2%, com 9.606 veículos vendidos contra os 11.119 do mesmo mês do ano passado. "No ano passado o primeiro semestre foi mais forte por conta de unidades que foram importadas em 2011 sem o aumento do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) que migraram para o ano de 2012", avaliou o presidente da Abeiva, Flávio Padovan.

O balanço mostra ainda que as montadoras instaladas no Brasil comercializaram 274.144 unidades importadas nos seis primeiros meses do ano, 14,2% a menos do que as 319.616 registradas no mesmo período de 2012.

Padovan explicou que, no início do ano, a entidade havia projetado 150 mil unidades importadas, 25% a menos do que em 2012, mas ao analisar os números do semestre revisaram as projeções para 120 mil. "Não conseguiremos atingir os 150 mil e os 120 mil também dependerão muito do comportamento do semestre. Julho tende a ser um mês mais difícil devido às férias escolares, mas acreditamos que a partir de agosto o mercado comece a se recuperar chegando à média de 10 mil carros por mês", projetou.

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