Aditivos elevam custos da refinaria em R$ 1 bilhão

As obras da Refinaria Abreu e Lima, que está sendo construída pela Petrobras no Complexo Industrial e Portuário de Suape, em Pernambuco, devem sofrer um novo acréscimo em seu custo final de quase R$ 1 bilhão; a razão para o aumento se deve aos pedidos de aditivos feitos pelas construtoras Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, Odebrecht e Queiroz Galvão; o Tribunal de Contas da União (TCU) também identificou uma série de erros no projeto básico que contribuíram para o aumento dos custos

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PE247- As obras da Refinaria Abreu e Lima, que está sendo construída pela Petrobras no Complexo Industrial e Portuário de Suape, em Pernambuco, devem sofrer um novo acréscimo em seu custo final de quase R$ 1 bilhão. A razão para o aumento se deve aos pedidos de aditivos feitos pelas construtoras Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, Odebrecht e Queiroz Galvão.

De acordo com a Petrobras, ao longo deste ano a estatal já liberou recursos adicionais. De acordo com o jornal Valor Econômico, a companhia teria assinalado que os aditivos “são resultado de análises técnicas de engenharia em busca de melhorias na eficiência da execução da obra e são encaminhados para o TCU (Tribunal de Contas da União) para conhecimento  com total transparência”.

O projeto inicial da refinaria pernambucana, que começou a ser tocado ainda no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, estava orçado em US$ 2,5 bilhões. Ao longo das obras este valor subiu e, segundo o último relatório referente ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) chega atualmente a R$ 35,8 bilhões.

De acordo com a matéria veiculada pelo Valor, uma auditoria realizada pelo TCU no primeiro semestre deste ano, investigou quatro contratos que somam R$ 12 bilhões. De acordo com o relatório do órgão de controle, os contratos poderão se tornar ainda mais onerosos, uma vez que o nível de execução varia entre 56% e 83%.

Conforme a análise do TCU, um dos pontos “graves” seria a implantação da unidade de coqueamento retardado, cuja execução está sob responsabilidade da Camargo Corrêa, e que soma R$ 3,4 bilhões. Somente neste contrato, os aditivos pedidos chegam a R$ 600 milhões. Apesar dos problemas, não foi recomendado a suspensão dos pagamentos sob a alegação de que esta medida atrasaria ainda mais o cronograma para que a refinaria possa entrar em operação.

O TCU também apontou deficiências no projeto básico do empreendimento, como a resistência do terreno, que era menor que a indicada no projeto. Isto levou a uma utilização maior que a prevista de estacas e estruturas metálicas necessárias às fundações.

Outros pontos destacados pelo TCU foram o contrato de R$ 4,6 bilhões junto à Odebrecht, referente a unidade de destilação atmosférica e da unidade de hidrotratamento de diesel. Com a Queiroz Galvão foi destacado a instalação de tubovias, no valor de R$ 2,7 bilhões. Por último, as dutovias, sob responsabilidade da Andrade Gutierrez, que somam R$ 659 milhões.

Segundo o ministro relator do processo no TCU, Benjamin Zymler, as falhas na identificação correta do solo, aumentaram em 568%  o volume de estacas empregados na construção das tubovias, por exemplo. Somente os erros de projeto nos contratos com estas construtoras somam aditivos da ordem de R$ milhões nos valores originalmente previstos.

A Petrobras informou ao Valor que as diferenças relativas às projeções de 2005, "referiam-se a um projeto em fase inicial de avaliação, cujo grau de definição permitia apenas estimativas preliminares em relação a custos de infraestrutura, demandas ambientais, integração entre unidades e extramuros". Ajustes cambiais, aumento do nível de detalhamento, otimização do projeto e o aquecimento do mercado, foram algumas das justificativas da estatal para explicar o aumento dos custos.

Quando entrar em plena operação, em 2015, a Refinaria Abreu e Lima terá capacidade para processar 230 mil barris de petróleo/dia, além de produzir óleo diesel, nafta, coque e GLP (gás de cozinha).

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