Barragens na região do Paraopeba preocupam parlamentares

As barragens da região se encontram a montante (acima) das represas Rio Manso e Serra Azul, do Sistema Paraopeba, responsável pelo abastecimento de água da Região Metropolitana de Belo Horizonte; Com o rio de lama que inundaria as represas em caso de desastre, a falta de água nos municípios atendidos pelo sistema seria inevitável; “Mais de 5 milhões de pessoas seriam afetadas pelo desabastecimento”, afirmou Breno Carone

Leon�dio Bou�as (deputado estadual PMDB/MG), Agostinho Patrus Filho (deputado estadual PV/MG), Jo�o Alberto (deputado estadual PMDB/MG)
Leon�dio Bou�as (deputado estadual PMDB/MG), Agostinho Patrus Filho (deputado estadual PV/MG), Jo�o Alberto (deputado estadual PMDB/MG) (Foto: Luis Mauro Queiroz)
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ALMG - As atividades nas barragens de rejeito de minério localizadas nos municípios da Bacia Hidrográfica do Rio Paraopeba precisam ser paralisadas, ao menos enquanto durar o período de chuvas. Essa é a opinião do vice-prefeito de Brumadinho e presidente do consórcio intermunicipal da bacia (Cibapar), Breno Carone, que apresentou as maiores preocupações do órgão em relação às condições das barragens da região, durante audiência conjunta das Comissões Extraordinárias das Águas e das Barragens da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), realizada nesta quinta-feira (10/12/15).s

Dirigentes do consórcio sobrevoaram e visitaram nove barragens, nos municípios de Brumadinho, Congonhas, Igarapé e Itatiaiuçu, todos na Região Central do Estado. A degradação da vegetação nativa, o assoreamento dos cursos d'água da bacia e o completo abandono de um dos empreendimentos, do grupo MMX, foram alguns dos problemas encontrados. No entanto, o foco de atenção está na situação estrutural das barragens e nas drásticas consequências que o rompimento de uma delas traria.

As barragens da região se encontram a montante (acima) das represas Rio Manso e Serra Azul, do Sistema Paraopeba, responsável pelo abastecimento de água da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Com o rio de lama que inundaria as represas em caso de desastre, a falta de água nos municípios atendidos pelo sistema seria inevitável. “Mais de 5 milhões de pessoas seriam afetadas pelo desabastecimento”, afirmou Breno Carone.

Cidades históricas e comunidades inteiras podem ter o mesmo destino do distrito de Bento Rodrigues, em caso de acidente. A barragem Casa de Pedra, por exemplo, da companhia CSN, em Congonhas, é 20 vezes maior do que a barragem do Fundão, que se rompeu em Mariana (Região Central). “Ela tem mais de cem anos. A dúvida da população local é que dia ele vai estourar”, destacou o consultor do Cibapar, Hélder Freitas.

As obras de captação de água do Rio Paraopeba para a estação de tratamento do Rio Manso, previstas para serem entregues ainda este ano, também seriam destruídas. “Não podemos correr riscos. As atividades deveriam ser paralisadas para a realização de estudos técnicos nas barragens”, concluiu Carone.

Deputados defendem atividade minerária sustentável

Autor do requerimento para a reunião, o deputado João Alberto (PMDB) ressaltou que o relatório do Cibapa confirma uma triste realidade. “Às vezes, não temos noção do estrago causado pela mineração”, disse. Entretanto, ao informar que a ALMG vai dar o encaminhamento necessário às questões levantadas durante o debate, o parlamentar enfatizou que o problema não está na atividade minerária em si, mas na forma como esses empreendimentos têm sido conduzidos. “Claro que não sou contra à mineração, responsável por mais de 20% do PIB do Estado. Queremos ações mais responsáveis, para o desenvolvimento de uma mineração sustentável”, afirmou.

O deputado Rogério Correia (PT), relator da Comissão das Barragens, também criticou as tecnologias empregadas na mineração atualmente. “Estamos minerando como se estivéssemos na Idade da Pedra. O risco desse tipo de barragem é iminente”, salientou. Para o parlamentar, o descaso com as consequências ambientais e sociais da atividade está ligado às privatizações ocorridas no governo de Fernando Henrique Cardoso. “Ficamos reféns de empresas em busca de lucro. Não se preocuparam nem com uma estratégia nacional de mineração”, ponderou.

Ao final das discussões, os deputados apresentaram requerimentos para que a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e órgãos ambientais competentes façam um relatório sobre as condições das barragens da região. Eles também querem se informar sobre as licenças de operação concedidas às mineradoras e conhecer as providências que serão tomadas frente a eventuais irregularidades constatadas.

 
 

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