Boff e Esquivel assinam manifesto pelo Nobel da Paz aos médicos cubanos

O Prêmio Nobel da Paz de 1980, Adolfo Perez Esquivel, e o teólogo brasileiro, Leonardo Boff, assinaram o manifesto pelo Nobel da Paz de 2020 aos médicos cubanos. Agregados ao coletivo REDH-Brasil, presidido pela ex-guerrilheira e escritora Marília Guimarães, os signatários fazem campanha mundial pela premiação da brigada Henry Reeve

Missões médicas cubanas vão em ajuda a países no combate à pandemia de covid-19
Missões médicas cubanas vão em ajuda a países no combate à pandemia de covid-19 (Foto: Granma)
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247 - A dedicação e o trabalho dos médicos cubanos pelo mundo inteiro no combate à pandemia de coronavírus emocionou italianos, franceses, alemães, argentinos, chilenos, brasileiros e todas as populações de países que receberam as brigadas cubanas Henry Reeve. Tal desempenho está sendo, agora, cogitado ao Nobel da Paz por lideranças internacionais como Adolfo Perez Esquivel e Leonardo Boff. 

Leia o manifesto na íntegra, assine o documento no link abaixo e assista o clipe com a música “Elogio à brigada Henry Reeve”, de Felipe Radicetti e Marcelo Biar, gravada por mais de 50 artistas: 

“A alma não tem fronteira, nenhuma vida é estrangeira” Marcelo Biar

Para a Comitê Norueguês do Prêmio Nobel da Paz

Presidente: Olav Njolstad

Membro:Thorbjon Jagland

Serve a presente manifestação para apresentar a essa Comissão a candidatura ao Prêmio Nobel da Paz às Brigadas Médicas Cubanas Henry Reeve, organização de médicos especializados em situação de extrema pobreza, desastres e epidemias graves, que através de seu compromisso humanitário, social e ético, desenvolveu ações na área da saúde em diversos países, com foco na população mais necessitada dos quatro continentes.

O Contingente Internacional das Brigadas Médicas Cubanas Henry Reeve realiza, de forma generosa e sem esperar qualquer retribuição, o que é o mais humano de nossa humanidade: a solidariedade e a disposição à cooperação. Seus médicos e médicas arriscam suas vidas para dar vida a quem está sob risco de perder a vida. 

Assine o documento aqui. 

Além do mais é uma organização que leva a paz em meio aos conflitos. A paz é o bem mais ansiado pelas vítimas das guerras ou das hecatombes naturais. Essa paz é forjada ao se comprometer por saúde e vida digna às populações que costumam figurar como vítimas de ações de guerra, espoliação, exploração e descaso estatal. 

Ao levar a paz, na forma de tratamento digno e esperança para a população de vários países, em meio a contextos marcado por destruição, epidemias, guerras e desastres naturais, essa organização comprometida com a defesa da humanidade habilita-se para o Nobel da Paz. 

Assista o clipe da canção: 

Não se pode esquecer que promover a paz é, antes de tudo, proteger todos aqueles que costumam estar condenados à morte, à violência estrutural e ao sofrimento, numa palavra, aos que são condenados a morrer antes do tempo. 

O reconhecimento do respeito ao ser humano e a entrega para salvar vidas fizeram dos Médicos e Médicas Cubanos uma referência internacional de solidariedade e de profunda humanidade, tão ausentes.

Vale lembrar que a primeira missão médica humanitária se deu na Argélia em 1963. Desde, então, as missões humanitárias cubanas se estenderam pelos quatro continentes e apresentam um caráter único ao apontar que é possível a solidariedade internacional em tempos de ode ao egoísmo.

Não faltam exemplos históricos de comprometimento das Brigadas Médicas Cubanas Henry Reeve com a busca de vida digna para todos e todas. Em 31 de maio de 1970, Peru, país à margem do Pacífico no continente sul americano, foi atingido por um terremoto de 7.9 na escala Richter deixando mais de 80 mil mortos e milhares de famílias desabrigadas. Mais de 100 mil cidadãos cubanos doaram sangue e uma das Brigadas médicas cubanas aportou em Ancash. Vale ressaltar, por oportuno, que o Peru não tinha relações diplomáticas com a República de Cuba.

Veja a entrevista com o coletivo de artistas: 

Durante as décadas que se seguiram, Cuba enviou gratuitamente brigadas médicas para diversos países atingidos por catástrofes naturais: na cidade de Pisco (Peru), em 2007, os médicos cubanos, solidários com as vítimas do terremoto, realizaram 228 mil consultas e 2 mil cirurgias complexas; no Haiti, a participação e a dedicação dos médicos cubanos, durante a crise da cólera, deixou o mundo envergonhado por não ter prestado tal solidariedade; na África, foram heróis no combate ao Ebola e, na América Latina e Caribe, curaram milhares da cegueira.

As brigadas estão presentes em mais de 60 países. O Contingente Internacional de Médicos Especializados em Desastres e Grandes Epidemias atua em 24 países da América Latina e Caribe; em 27 países da África incluindo a República do Togo; Argélia e África do Sul; em dois, do Oriente médio; em sete, da Ásia, incluindo Indonésia, Catar, Kuwait, China e Arábia Saudita.

Assine o documento aqui. 

Em 2005, nasce o Contingente Henry Reeve, assim nomeado em homenagem a um jovem americano, saído do Brooklyn, nos Estados Unidos, aos dezenoves anos, para ingressar na causa emancipatória cubana e se tornar um general de brigada do Exército de Libertação.

No Brasil, na década de 1990, a cidade de Niterói deu início ao Programa Médico da Família aos moldes do “Programa Médico de Família” de Cuba. Esse Programa funciona há 28 anos nas comunidades carentes com grande êxito e é uma história fabulosa de atendimento domiciliar e hospitalar. 

Ainda no Brasil, o Programa Mais Médicos, aprovado após amplo debate público junto à sociedade endossada pelo Congresso Nacional, permitiu que médicos cubanos trabalhassem em lugares de pobreza extrema, de alto risco de vida em lugares como favelas do Rio de Janeiro, de São Paulo, da Bahia, de Minas Gerais, dando ênfase a 34 reservas indígenas, sobretudo na Amazônia. 

No Programa Mais Médicos no Brasil, entre agosto de 2013 e novembro de 2018, 113.359.000 pacientes foram atendidos em mais de 3.600 municípios e forneceram cobertura permanente a 60 milhões de brasileiros.

Assine o documento aqui. 

Esse programa foi amplamente reconhecido pelos governos Federal, Estadual, Municipal e, principalmente, pela população. Segundo estudo realizado pelo Ministério da Saúde do Brasil junto à Universidade Federal de Minas Gerais, o grau de aceitação dos médicos cubanos atinge a 95 por cento entre a população.

Mais recentemente, na luta contra o COVID 19, os médicos e médicas cubanos não hesitaram a se juntar aos médicos e médicas chineses e a atuar em diversos países. Em 22 de marco de 2020, aportaram na Lombardia, Itália desempenhando uma assistência fundamental. Em alguns Estados brasileiros estão atuando nos lugares mais necessitados e ajudando a superar esta tragédia viral.

Diante da grandeza e solidariedade dos médicos e médicas cubanos, que estão salvando vidas como objetivo principal, é que pedimos seu apoio ao Prêmio Nobel da Paz de 2021 ao Contingente Henry Reeve de brigadas médicas cubanas. 

É legítimo acreditar que o Prêmio Nobel da Paz para Brigadas Médicas Cubanas Henry Reeve ajudará a fortalecer a solidariedade mundial de que tanto precisamos, além de suscitar a esperança de que políticas e ações comprometidas com a vida devem substituir ações e políticas que visam exclusivamente o lucro e que naturalizam a morte.

Assine o documento aqui. 

Por fim, releva lembrar o que uma médica cubana, ao sair do Brasil, entre lágrimas, disse: “Nós não damos o que sobra. Nós damos o que temos”.

Não há maior generosidade e grandeza do que estas palavras que bem revelam o espírito que anima o Contingente Internacional das Brigadas Cubanas de Saúde Henry Reeve: dar sem esperar receber e dar vida a quem precisa de vida.

Rio de Janeiro, 28 de julho de 2020

Teólogo Leonardo Boff

Adolfo Perez Esquivel – Prêmio Nobel da Paz 1980



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