Cientista político vê nuance do afastamento de Witzel que poderia afastar Bolsonaro sem impeachment

Segundo o cientista político Rodrigo Prando, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP), o afastamento de Wilson Witzel do governo do Rio abriu condições para "algum ministro do STF decidir da mesma maneira, por exemplo, pelo afastamento de Bolsonaro, sem que um processo de impeachment seja concluído", ao contrário da prática até então

Jair Bolsonaro e Wilson Witzel
Jair Bolsonaro e Wilson Witzel (Foto: Reuters)
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Agência Sputnik - Cientista político avalia a possibilidade do Brasil ver dois governadores impedidos de continuar no cargo em meio à crise do coronavírus.

Em meio à crise econômico-social e de saúde pública, os estados do Rio de Janeiro e de Santa Catarina ainda enfrentam uma grave crise política com seus governadores correndo o risco de sofrer impeachment.

Eleitos na onda bolsonarista, Wilson Witzel (PSC/RJ) e Carlos Moisés (PSL/SC) enfrentam processo de impeachment com uma base fragilizada nas respectivas Assembleias Legislativas. O que explica o enfraquecimento político dos mandatários?

Sputnik Brasil conversou sobre o tema com o cientista político Rodrigo Prando, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo. Ele destacou ainda não ser possível definir o desfecho dos processos contra os governadores do Rio de Janeiro e de Santa Catarina, mas avaliou a situação como grave.

"No caso do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, há uma situação agravante, que foi uma decisão monocrática do ministro do Supremo Tribunal de Justiça", disse Rodrigo Prando.

O cientista político afirmou que o caso gerou um precedente preocupante, abrindo condições para "algum ministro do Supremo Tribunal Federal decidir da mesma maneira, por exemplo, pelo afastamento do presidente Bolsonaro, sem que um processo de impeachment seja concluído", ao contrário da prática até então.

Neófitos na política

Prando destacou que "Witzel é neófito na política". Em uma campanha ligada ao bolsonarismo, ele se elegeu para o governo do estado. No entanto, suas aspirações manifestadas de concorrer à presidência em 2022, o colocaram em colisão com o presidente Bolsonaro.

"Não dá para, nesse momento, entender se está colocado um ponto final na carreira de Witzel, mas sem dúvida nenhuma é um abalo considerável, especialmente para alguém que assume o governo de um estado importante como o Rio de Janeiro e que já havia demonstrado pretensões presidenciais", disse o especialista.

Rodrigo Prando destacou que os governadores ameaçados de impeachment foram os que tiveram mais dificuldade para construir uma base de apoio aos seus governos no legislativo. Além disso, por serem debutantes na política, os governadores do Rio e de Santa Catarina não conseguiram resolver os conflitos com base no diálogo.

"Me parece que os dois governadores, de certa maneira, ainda que em graus distintos, enfrentam esses problemas. A falta de base parlamentar e a dificuldade do diálogo político, de um diálogo dentro dos aspectos cotidianos da política", afirmou o professor.

Ele acrescentou que a pandemia de COVID-19 pode se somar à crise política como um importante fator, pois alguns casos de corrupção atribuídos aos governadores se relacionam com a má gestão dos hospitais de campanha e aquisição irregular de medicamentos e equipamentos.

"Sem dúvida nenhuma a pandemia pode exercer uma influência no ânimo dos deputados que julgarão os governadores [...] toda a sociedade, inclusive aqueles que se encontram nas casas legislativas, está sensibilizada pela pandemia", concluiu.

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