Congressistas dos EUA pressionam Facebook por compartilhamento de dados com empresas chinesas

Os principais membros republicano e democrata do Comitê de Energia e Comércio da Câmara dos Deputados disseram que o presidente-executivo do Facebook, Mark Zuckerberg, deveria ter revelado essas parcerias quando ele prestou esclarecimento ao Congresso em abril.

Congressistas dos EUA pressionam Facebook por compartilhamento de dados com empresas chinesas
Congressistas dos EUA pressionam Facebook por compartilhamento de dados com empresas chinesas

(Reuters) - Dois importantes congressistas dos Estados Unidos criticaram nesta quarta-feira o Facebook por não ser mais transparente no compartilhamento de dados, depois que a empresa de mídia social disse ter colaborado com pelo menos quatro empresas chinesas, incluindo uma fabricante de smartphones, o que gerou preocupações de segurança nos EUA.

Os principais membros republicano e democrata do Comitê de Energia e Comércio da Câmara dos Deputados disseram que o presidente-executivo do Facebook, Mark Zuckerberg, deveria ter revelado essas parcerias quando ele prestou esclarecimento ao Congresso em abril.

“Claramente, as parcerias da empresa com companhias de tecnologia chinesas e outras deveriam ter sido divulgadas ao Congresso e ao povo norte-americano”, disseram em comunicado o presidente do comitê, o republicano Greg Walden, e o democrata Frank Pallone.

“Nós incentivamos fortemente a total transparência do Facebook e de toda a comunidade de tecnologia”, escreveram eles.

Na terça-feira, o Facebook disse que a Huawei, a fabricante de computadores Lenovo e as produtoras de smartphone OPPO e TCL estavam entre cerca de 60 empresas no mundo que receberam acesso a alguns dados de usuários, após assinarem contratos para recriarem experiências como as do Facebook para seus usuários.

A Huawei, terceira maior fabricante de smartphones do mundo, está sendo investigada por agências de inteligência norte-americanas que argumentam que as empresas de telecomunicações chinesas oferecem uma oportunidade para espionagem estrangeira e ameaçam infraestruturas críticas dos EUA, algo que os chineses vem constantemente negando.

O Facebook disse na terça-feira que vai encerrar o acordo com a Huawei ainda esta semana e que está encerrando também outras três parcerias com empresas chinesas. Além disso, disse que mais 50 por cento das parcerias já foram desfeitas.

Uma porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China não fez comentários sobre os acordos das empresas.

Membros do Congresso mostraram-se preocupados após o The New York Times reportar domingo sobre a prática, dizendo que dados de amigos de usuários poderiam ter sido acessados sem o consentimento explícito deles. O Facebook negou a informação e disse que o acesso a dados era para permitir que seus usuários acessassem características das contas em dispositivos móveis.

O senador Mark Warner, vice-presidente do Comitê de Inteligência, e que perguntou ao Facebook se a Huawei estava entre as empresas que receberam dados de usuários, disse em um comunicado que o Comitê de Inteligência do Congresso tinha levantado preocupações sobre a Huawei já em 2012.

“A notícia de que o Facebook forneceu acesso privilegiado ao API do Facebook a fabricantes de dispositivos como Huawei e TCL levanta preocupações legítimas e eu espero ansiosamente para saber mais sobre como o Facebook garantiu que informações sobre seus usuários não foram enviadas para servidores chineses”, disse Warner.

API, a sigla em inglês para interface de programação de aplicações, essencialmente especifica como componentes do software deveriam interagir.

Um executivo do Facebook disse que a empresa administrou com cuidado o acesso dado a empresas chinesas.

“O Facebook, assim como muitas outras empresas de tecnologia dos EUA, tem trabalhado com elas e com outras fabricantes chinesas para integrar seus serviços nesses telefones”, disse Francisco Varela, vice-presidente de parcerias móveis do Facebook, em comunicado. “As integrações do Facebook com Huawei, Lenovo, OPPO e TCL foram controladas desde o início - e nós aprovamos as experiências com o Facebook que essas empresas desenvolveram.”

Varela acrescentou que “dado o interesse do Congresso, nós quisemos deixar claro que todas as informações dessas integrações com Huawei estão armazenadas no dispositivo, não nos servidores da Huawei”.

Falando em Pequim, a porta-voz do Ministério de Relações Exterior da China, Hua Chunying, disse que não comentaria sobre a cooperação entre empresas e que não sabia nada sobre a situação.

“Mas nós esperamos que o lado dos EUA possa fornecer um ambiente transparente, aberto e amigável para o investimento de empresas chinesas e atividades operacionais”, disse Hua a jornalistas.

Por David Shepardson

Conheça a TV 247

Mais de Geral

Ao vivo na TV 247 Youtube 247