Criador do 1º fato político de 2014, Campos avança

Presidenciável do PSB, mesmo certo de que seria alvo de críticas precipitadas, atraiu o PSDB para o seu governo em Pernambuco; instalou, assim, princípio de incêndio dentro do partido do senador Aécio Neves; Eduardo Campos sinaliza que portas de sua candidatura estão escancaradas para receber tucanos; ex-presidente Sergio Guerra foi o primeiro a entender a mensagem; avô Miguel Arraes (1916-2005), famoso pela matreirice, faria melhor?

Presidenciável do PSB, mesmo certo de que seria alvo de críticas precipitadas, atraiu o PSDB para o seu governo em Pernambuco; instalou, assim, princípio de incêndio dentro do partido do senador Aécio Neves; Eduardo Campos sinaliza que portas de sua candidatura estão escancaradas para receber tucanos; ex-presidente Sergio Guerra foi o primeiro a entender a mensagem; avô Miguel Arraes (1916-2005), famoso pela matreirice, faria melhor?
Presidenciável do PSB, mesmo certo de que seria alvo de críticas precipitadas, atraiu o PSDB para o seu governo em Pernambuco; instalou, assim, princípio de incêndio dentro do partido do senador Aécio Neves; Eduardo Campos sinaliza que portas de sua candidatura estão escancaradas para receber tucanos; ex-presidente Sergio Guerra foi o primeiro a entender a mensagem; avô Miguel Arraes (1916-2005), famoso pela matreirice, faria melhor? (Foto: Ana Pupulin)

Marco Damiani 247 – O presidenciável Eduardo Campos, do PSB, começou a dar neste início de ano uma finta em seu amigo e concorrente direto Aécio Neves, do PSDB. Para surpresa do adversário pré-candidato, o governador de Pernambuco formalizou no dia 3 a entrada de dois tucanos em sua administração, após ter reafirmado, na Paraíba, seu desejo de manter ali a aliança entre os dois partidos.

Com os gestos simples, Campos sinalizou que sua candidatura está de portas abertas para receber tucanos de todas as plumagens, em nome da ampliação de suas chances na disputa eleitoral e, em caso de vitória, da boa governabilidade. Sua palavra de ordem, expressada ao lado do ex-presidente do PSDB Sérgio Guerra, na posse de seus novos secretários é "paz na política".

Herdeiro direto e dileto de Miguel Arraes (1916-2005), um dos maiores mitos da política brasileira, Campos vai mostrando que carrega do avô o talento para a matreirice na atividade. Mantendo-se nos últimos meses muito próximo a Aécio, com quem costuma trocar telefonemas diários e se deixa ser visto em jantares em locais públicos, Campos está, na prática, instalando focos de incêndio dentro do partido presidido pelo senador mineiro.

Para São Paulo, Estado mais estratégico para o PSDB, ao lado de Minas Gerais, o presidenciável socialista já deixa correr a versão de que não poderá apoiar a candidatura à reeleição do governador Geraldo Alckmin em razão de uma imposição de sua correligionária Marina Silva, do grupamento Rede Sustentabilidade.

Ao mesmo tempo, Campos igualmente saboreia as versões que já dão como certa a presença da própria Marina em sua chapa, na condição de candidata a vice. A ser consumado, será, sem dúvida, uma jogada de mestre, com forte potencial de mexer, para cima, em seus números nas próximas pesquisas eleitorais.

ULTRAPASSAGEM DUPLA - Atrás de Marina e de Aécio nos levantamentos de opinião, Campos vai criando a chance real de ultrapassar o primeiro e anular a segunda, atraindo-a não apenas para o seu partido, como já aconteceu, mas para estar ao lado dele dentro das urnas eletrônicas de outubro. Uma dupla missão – a de passar de uma só vez seus dois mais próximos adversários -- quase impossível de ser completada, mas que efetivamente ele vai realizando.

O chefe do PSB avisou ao longo do ano passado que só falaria em candidatura a partir deste 2014. Com efeito, Campos criou o primeiro fato político do ano ao dar dois cargos a políticos do PSDB em sua administração: a secretaria do Trabalho e o Detran. Por esse pouco, já vai recebendo muito em troca, na forma de todas as especulações que vão sendo feitas a respeito do resultado da manobra.

O governador pernambucano, com razão, dá de ombros para os colunistas da mídia tradicional e familiar que o criticam por estar praticando "a velha política" e que, por isso mesmo, não pode ser chamado de artífice de nada novo. Em resposta a estes críticos, ele devolve com um troco que aponta para a precipitação deles.

"O País tem clareza que é preciso superar a celebração da mediocridade e celebrar o diálogo, a capacidade de enxergar ao longe", adiantou-se Campos em seu mais recente discurso, na semana passada. Ele sabe que, com Marina, queira-se ou não ele vai carregar a marca do novo, e até mesmo porque seu nome ainda não é fortemente conhecido além do Nordeste. E com suas jogadas de bastidores, procura dividir as bases de um adversário forte como Aécio sem bater de frente com ele. Coisa de profissional.

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