Crise na Saúde de Aracaju: médicos não atendem e pacientes se revoltam

Nesta quinta-feira (11), a doméstica Flávia Tavares, que acompanhava a filha doente, se desesperou com a demora no atendimento médico da UPA Fernando Franco; segundo ela, três médicos que estavam na unidade se recusaram a atender os pacientes; revoltada, Flávia danificou uma porta, um bebedouro e outros equipamentos; uma equipe da Rádio Patrulha foi acionada e os policiais entram em entendimento com a doméstica e a direção da unidade para que o atendimento fosse garantido; a UPA Fernando Franco é uma das unidades que o prefeito João Alves Filho (DEM) pretende passar para as mãos das organizações sociais; modelo foi embargado pela Justiça Estadual; nesta condição, prefeitura não tem dado as respostas que a população espera quanto aos recorrentes problemas da área

Crise na Saúde de Aracaju: médicos não atendem e pacientes se revoltam
Crise na Saúde de Aracaju: médicos não atendem e pacientes se revoltam

Sergipe 247 – O relato da jornalista Cássia Santana, do Portal Infonet, sobre a revolta de uma mãe que não suportou a longa espera e a recusa do atendimento para sua filha doente, na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Fernando Franco, em Aracaju, e por isso destruiu alguns bens da unidade, é mais uma prova do agravamento de uma crise que parece não ter solução. A saúde na capital é caótica. As manifestações das pessoas que recorrem aos postos e não conseguem atendimento estão se tornando muito freqüentes.

Na semana passada, por exemplo, uma mulher se acorrentou em frente à unidade de saúde do bairro Coroa do Meio. Da mesma forma, um grupo de pacientes tentou invadir a área privativa da UPA Nestor Piva porque os médicos haviam faltado ao plantão. Já no incidente desta quinta-feira (11), a doméstica Flávia Tavares, que acompanhava a filha, uma adolescente que reclama de dores na cabeça e no corpo, além de ter sintomas de vômito, se desesperou com a demora no atendimento médico. Segundo ela, três médicos que estavam na unidade se recusaram a atender os pacientes. Revoltada, Flávia danificou uma porta, um bebedouro e outros equipamentos.

Segundo a reportagem do Portal Infonet, na confusão, a direção da unidade expulsou um funcionário da UPA sob a justificativa de que ele estaria insultando pacientes a se rebelar. Além disso, uma equipe da Rádio Patrulha foi acionada e os policiais entram em entendimento com a doméstica e a direção da unidade para que o atendimento fosse garantido. Até o secretário adjunto da saúde de Aracaju, Petrônio Gomes, chegou ao local, para acalmar a mãe da paciente.

A falta de atendimento foi comprovada por outros pacientes. “Aqui os pacientes estão passando mal e os médicos que estão aí não querem atender”, disse a doméstica Arlete Santos. “Vim ontem e não tinha médico, hoje vim de novo e há três médicos aí dentro que não querem atender”, disse ao Portal Infonet. Alguns funcionários denunciaram que, diariamente, ocorrem problemas na unidade por falta de atendimento à população. Eles disseram que não há mais acolhimento e há médicos que realmente se recusaram a prestar o atendimento nesta quinta-feira, 11.

A UPA Fernando Franco é uma das unidades que o prefeito João Alves Filho (DEM) pretende passar para as mãos das organizações sociais. O modelo foi embargado pela Justiça Estadual, que o vê como forma de privatização do setor público de saúde. Nesta condição, a prefeitura não tem dado as respostas que a população espera quanto aos recorrentes problemas da área. E a expectativa é que a situação se agrave: os médicos, insatisfeitos com os vetos feitos pela presidente Dilma Rousseff (PT) ao projeto Ato Médico, devem entrar em greve por tempo indeterminado. 

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