CUT-MG denuncia 'terrorismo' da Samarco

Presidenta de central no estado, Beatriz Cerqueira diz que é preciso apurar responsabilidades e omissões na tragédia de Mariana e combater a influência do poder econômico das mineradoras sobre a política

Presidenta de central no estado, Beatriz Cerqueira diz que é preciso apurar responsabilidades e omissões na tragédia de Mariana e combater a influência do poder econômico das mineradoras sobre a política
Presidenta de central no estado, Beatriz Cerqueira diz que é preciso apurar responsabilidades e omissões na tragédia de Mariana e combater a influência do poder econômico das mineradoras sobre a política (Foto: Leonardo Attuch)

por Redação RBA

São Paulo – Para a presidenta da CUT de Minas Gerais, Beatriz Cerqueira, o maior crime ambiental da história do Brasil, cometido pela Samarco, Vale e BPH, em Mariana, sintetiza as consequências do modelo de privatização praticado durante o período de Fernando Henrique Cardoso na Presidência. A entidade se mobiliza para que a Assembleia Legislativa mineira instale uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigue a atividade de mineração no estado, seus beneficiários e as omissões na fiscalização que resultaram na tragédia.

Em entrevista ontem (26) à Rádio Brasil Atual, Beatriz afirmou a necessidade de se enfrentar o poder econômico e aponta que muitos políticos tiveram suas campanhas financiadas pelas mineradoras, o que compromete a atividade legislativa e fiscalizatória sobre o setor.

“O algoz está se transformando na vítima, e a vítima se transformando em culpada pelo crime que aconteceu, a ponto de termos, na cidade, manifestação a favor da continuidade da mineração sem nenhuma modificação na política”, detalha a dirigente à repórter Marilú Cabañas, ao denunciar a influência do poder econômico das empresas do setor instaladas em Minas.

“É importante fazer o enfrentamento ao que a Samarco e a Vale hoje fazem em Mariana. Essas empresas controlam todo o processo relacionado ao crime que elas mesmas cometeram. Elas controlam a cena do crime, o acesso dos jornalistas ao local, a relação dos atingidos por esse crime. Inclusive impedem que os movimentos populares e sociais tenham acesso”, denuncia a presidenta da CUT-MG.

Ela espera que a instalação de uma CPI apure a fundo as condições da mineração no estado, nos últimos 12 anos de administração tucana, de 2002 a 2014, quando 12 pedidos de investigação do setor foram arquivados, durante as administrações de Aécio Neves e Antônio Anastasia. “Acho essencial que a Assembleia Legislativa de Minas Gerais dê uma resposta mais concreta ao que está acontecendo. E essa resposta concreta, não tenho dúvidas, seria uma CPI.”

Beatriz denuncia também a precarização das relações de trabalho no setor da mineração, lembrando que os trabalhadores vitimados na tragédia em Mariana sequer tinham vínculo direto com as empresas Samarco, Vale e BPH, pois eram terceirizados.

A presidenta da CUT-MG questiona o resultado da privatização no mineração. “A venda do patrimônio brasileiro serviu para quê? Para Minas Gerais, além de ter significado a transferência da nossa riqueza para a iniciativa privada e bilhões de reais em lucro, significou também a morte das pessoas, da comunidade, do rio Doce, com o comprometimento da bacia que atinge mais de 200 municípios mineiros. É um crime de dimensões que ninguém ainda consegue descrever completamente.”

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