Dia do Pantanal é marcado por novos focos de incêndio

A destruição nos últimos tempos é tão grande que o bioma já teve 29% de sua área queimada

(Foto: Divulgação)
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Brasil de Fato -  Embora a chuva tenha ajudado a diminuir os focos de incêndio no Pantanal nas últimas semanas, a devastação recorde registrada este ano no bioma trouxe desafios que perduram. Além da destruição da flora local, o estrago foi grande também para os animais da região.

As imagens de resgates dramáticos, que foram necessários até mesmo para espécies consideradas muito resistentes, como a onça pintada, dão a medida do que vem pela frente. Alguns bichos foram tão prejudicados, que precisarão viver em cativeiro. Para outros, novos obstáculos aparecem na volta para casa.

Os animais reintroduzidos ao seu habitat natural se deparam com a mudança de cenário causada pelo fogo. Com menos diversidade, eles têm também menos acesso à comida, água, abrigo e outro recursos.

"A gente chama de fome cinza. Os animais que não morrem diretamente pelo fogo fogem para outras áreas que não foram queimadas. Nessas áreas eles competem com outros animais. Quando eles voltam para a área que foi queimada, eles encontram um cenário devastado e não têm recursos para eles se alimentarem", relata o biólogo Gustavo Figueirôa.

Em entrevista ao programa Bem Viver da Rádio Brasil de Fato, o especialista, que atua na organização SOS Pantanal, explica que o trabalho das equipes que atuam no local também consiste em levar alimentos e água para que os animais tenham alguma fonte de recurso nas áreas atingidas.

"O pior dos incêndios já passou, mas tem muito trabalho a ser feito ainda. O fogo passa, mas a gente pode ter reflexos na fauna por anos e até décadas. A gente não sabe. Precisa de muito estudo ainda para entender quais foram os reais impactos."

As estimativas de perda de fauna não são possíveis no momento. Os estudos de impacto precisarão de anos para entender quantas populações de animais foram impactadas, quanto tempo vai demorar para a recuperação e até mesmo se essa recuperação é possível. Calcula-se que o Pantanal perdeu quase 30% de sua área para o fogo este ano. 

"Com certeza muito bicho morreu. Eu chutaria a casa dos milhões de animais, contando répteis, anfíbios, animais menores, mamíferos. Se chegou no nível de uma onça pintada - que consegue nadar, escalar, correr e pular - morrer queimada, imagina os outros animais que não são tão ágeis", relata Gustavo.

"Se a gente pegar 28% do bioma queimado, mais de 4,1 milhões de hectares – o Pantanal tem uma biodiversidade riquíssima – dá pra imaginar que o estrago foi grande."

O Pantanal é considerado uma das maiores extensões úmidas contínuas do planeta. Apesar de ser o bioma que ocupa a menor extensão territorial do Brasil, tem uma riqueza influenciada por quase toda a natureza brasileira. Lá se encontram Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica, além do Chaco paraguaio. Muitas espécies ameaçadas em outras regiões conseguem, inclusive, se manter de forma mais consistente no Pantanal. 

Ainda de acordo com Gustavo Figueirôa, as ações de reintrodução dos animais da natureza são um novo desafio. A maior parte do trabalho é feita por organizações não governamentais e voluntários. Além disso, os focos de incêndio ainda vem sendo registrados.

"O pior já passou, mas o fogo ainda está pegando. Algumas regiões da Serra do Amolar e do Parque Nacional do Pantanal Matogrossense ainda têm fogo. Para os animais que estão lá, a situação está crítica."

Para ouvir toda a entrevista com o biólogo, clique no áudio abaixo do título da matéria. Se quiser saber mais sobre como ajudar as organizações qua atuam no Pantanal, acesse a página do movimento O Pantanal Chama.

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