Dia Nacional da Vacinação: Fenae defende resgate de alta cobertura vacinal

No Brasil, baixa vacinação pode resultar em novos surtos de doenças que já estavam erradicadas ou controladas

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(Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)


Fenae - Devido às baixas coberturas vacinais registradas há pelo menos seis anos, notadamente entre as crianças, o Dia Nacional da Vacinação ganha ainda mais importância nesta segunda-feira (17), quando a data é comemorada em todo o país para que a população se conscientize do valor da imunização para prevenir doenças. Informações oficiais apontam em 67% o atual índice médio de vacinação, abaixo do minimamente adequado, que varia entre 90% e 95%, dependendo da vacina.

Por virar política pública de saúde e pilar no cuidado geral das pessoas, a vacinação é considerada uma ferramenta de proa para o Brasil acumular experiência e tornar-se referência mundial pelo Programa Nacional de Imunização (PNI), com oferta de vacinas gratuitas para toda a população. No último dia 18 de setembro, inclusive, o PNI completou 49 anos de esforço na proteção e no combate a doenças.

No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS), com sua capilaridade e expertise em campanhas de vacinação, oferece diferentes imunizantes para diversas faixas etárias. Essa situação, no entanto, vem sendo alterada negativamente desde 2019. Isto porque, pela primeira vez, o país não alcançou a meta mínima de cobertura de vacinação de crianças até um ano.

Um cenário ainda mais crítico, passando à grave, foi registrado em 2020. É que a tríplice viral, que protege contra o sarampo, a rubéola e a caxumba, por exemplo, e ostenta meta de cobertura de 95%, imunizou menos de 56% das crianças. Fenômeno parecido ocorreu com a pandemia da Covid-19, que afastou as pessoas das unidades de vacinação. Os casos de falta de vacinas são cada vez mais recorrentes e levam a doenças que antes estavam sob controle ou até mesmo erradicadas.

Fortalecer o PNI, combater a disseminação de notícias falsas e resgatar o sentimento de confiança nas vacinas são alguns dos aspectos mencionados pelo presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), Sergio Takemoto, para o fomento efetivo de políticas públicas de saúde em favor da população. “É momento de conscientizar a sociedade brasileira sobre a importância das vacinas e de manutenção do calendário vacinal em dia, com definição de estratégia nacional de proteção coletiva”, afirma. Ele também defende que o programa de imunização seja levado a locais de difícil acesso, como comunidades indígenas e ribeirinhas.

Takemoto observa que a importância da vacinação se reflete ainda no risco de retorno de doenças já eliminadas, como no caso da poliomielite, e de epidemias já controladas, com o aumento de óbitos por sarampo e meningite, por exemplo. 

“É fato: a hesitação sobre vacinas contribuiu para a queda nas imunizações contra a poliomielite, que pode causar a paralisia infantil irreversível em algumas situações”, pontua o presidente da Fenae. 

Houve, até mesmo, o registro [em 2022] de um caso da doença de um menino de três anos em Santo Antônio do Tauá, no nordeste do Pará, apesar de o último relato de poliomielite, causada pela pólio vírus selvagem, ter ocorrido em 1989, na cidade de Souza, na Paraíba.

No Brasil, graças a campanhas de vacinação, a pólio está erradicada desde 1994, quando foi emitido o certificado da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), vinculada à Organização Mundial da Saúde (OMS). “Só que a doença volta a preocupar quase 30 anos depois, motivada pela baixa adesão não esperada”, alerta Sergio Takemoto. Por causa desse cenário, a campanha de vacinação contra a pólio foi prorrogada duas vezes consecutivas, este ano.

PREOCUPAÇÃO — Para a epidemiologista Carla Domingues, doutora em Medicina Tropical pela Universidade de Brasília (UnB) e mestre em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo (USP), o Brasil, a partir de 2016, registra índices preocupantes de redução da cobertura vacinal, embora a vacinação atue como um dos elementos que mais contribui para a política nacional de saúde pública. A pesquisadora coordenou o PNI do Ministério da Saúde entre 2011 e 2019.

Para enfrentar a falta de vacinação, com o agravante de a sociedade brasileira vivenciar um surto de influenza e de outras epidemias já erradicadas ou controladas, Carla Domingues propõe mobilização nacional por campanhas publicitárias. “Se deixar de vacinar, a população fica prejudicada ou morre. A vacina previne a doença antes mesmo dela acontecer”, ressalta.

Para ela, um dos maiores problemas é o desconhecimento do risco das enfermidades. E reitera: “A desinformação e o fenômeno das fake news ou notícias falsas, segundo as quais a vacina faz mal à saúde, deixam a população hesitante. A diminuição dos casos de doenças faz a população imaginar que não precisa ser vacinada”.

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