Discurso de "retrovisor" de Batalha perdeu sentido

Respostas do secretário da Comunicação de Aracaju, Carlos Batalha, para imobilidade da administração cansaram; recorrência em justificar problemas criticando o prefeito anterior, Edvaldo Nogueira, se tornou incipiente, ao passo que a cidade já vive o oitavo mês sob o comando do prefeito João Alves Filho (DEM) e cobra dele respostas imediatas; Batalha deveria dar aos seus colegas secretários a oportunidade de apresentar à sociedade os projetos que ela tanto precisa para crescer ordenadamente; sobre a Comunicação, o secretário poderia informar em que pé está a licitação das empresas de publicidade; e claro: aos atuais gestores, o passado efetivamente deve sumir das justificativas; ou não é esta a gestão que usa as palavras “futuro” e “trabalho” em seu slogan?

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EDITORIAL, do Sergipe 247 – É comum aos novos gestores de uma administração (seja ela pública ou particular), olhar para o retrovisor e nele se ancorar para dar seus primeiros passos. Com um espólio bom ou ruim, é preciso iniciar o trabalho, levantar demandas e dar formato e personalidade própria à gestão. No entanto, o secretário municipal da Comunicação Carlos Batalha parece desconhecer esta premissa. Iniciado o oitavo mês do trôpego governo de João Alves Filho (DEM) em Aracaju, o secretário onipresente nas rádios faz dos supostos problemas deixados pela administração passada seu único argumento para justificar o que já poderia ter melhorado, mas ainda não o foi.

Contra os fatos ululantes – serviços públicos piorados (sem exceção), inchaço da nova administração, dificuldade do prefeito em lidar com questões do cotidiano da cidade –, Batalha deveria ter, no mínimo, humildade para reconhecer o óbvio: é preciso virar a página. Eleito com votação expressiva, João deve ser – para aqueles que nele depositaram o voto e também para os aracajuanos que optaram por outros candidatos – a solução para os problemas comuns a uma cidade em franco crescimento e também para as demandas não resolvidas ou abandonadas pelo prefeito anterior, o comunista Edvaldo Nogueira.

O que se viu em sete meses de gestão foi total boa vontade do prefeito em dar celeridade ao que lhe foi deixado encaminhado pelo gestor anterior. Foi assim ao inaugurar (ainda incompleta) a ponte que ligar os bairros Inácio Barbosa e Farolândia, além de escolas e a estrutura do Museu do Mangue.

No entanto, o que se observou também foi um administrador com completa incapacidade de lidar com os “pepinos” deixados pelo ex-prefeito. Como exemplo as etapas seguintes do complexo de mobilidade que ligará os bairros Jardins, Inácio e Farolândia. O viaduto caminha a passos lentos e há lentidão da prefeitura em realizar alterações no projeto inicial, além disso, a malha viária do Inácio Barbosa está muito prejudicada.

Nos bairros mais periféricos estouram diariamente manifestações das comunidades que se basearam na promessa de ações efetivas em seis meses, como alardeou João Alves Filho, mas nada viram de concreto no período. Para a Saúde, o prazo foi o mesmo. A apatia de ações, idêntica. E o que falar da interrupção do tráfego na avenida Beira-Mar por causa de um risco de destruição iminente propalado pelo prefeito e por seus assessores em níveis aterrorizantes? Órgãos de meio ambiente já desfizeram a cena. E a Justiça já determinou obras somente emergenciais em 30 dias.

Se a realidade é mais dura do que a verborragia do secretário da Comunicação municipal nos rádios, não dá para aceitar que se perca tanto tempo com discussões inúteis sobre uma suposta “herança maldita”. Ou ainda, se acredite que a população irá dar crédito a esse discurso por tanto tempo. A entrevista que Batalha concedeu na manhã desta sexta-feira (2) ao Jornal da Ilha é sintomática do que foi dito aqui até agora.

Enquanto ele se esforçava para justificar a paralisia das empresas municipais de Obras e Urbanização (Emurb) e de Serviços Urbanos (Emsurb) colocando a culpa em débitos com valores estratosféricos que teriam sido deixados por Edvaldo Nogueira, o ex-diretor-presidente da Emurb, Osvaldo Nascimento, que é um homem menos familiarizado com os microfones saiu-se melhor no debate do que o secretário da Comunicação. Até mesmo o atual responsável pelas empresas, o secretário da Infraestrutura, Luiz Durval, demonstrou contrariedade com aquela discussão inócua. 

Homem da comunicação há muitos anos, fiel aliado de João em todo o período, Carlos Batalha imprimiu à secretaria que gere atualmente um formato mais dinâmico e moderno do que o seu antecessor. Faz também a informação chegar ao cidadão aracajuano de forma veloz, além de sempre ter resposta para as demandas apresentadas pela imprensa. 

Entretanto, no papel de defensor-mor do prefeito, diariamente, em programas de rádio, ele poderia recuar e dar aos gestores das demais pastas do Governo a oportunidade de eles próprios apresentarem seus trabalhos e projetos para a cidade. Em relação à secretaria sobre a qual tem controle, o jornalista poderia informar a quantas anda o processo licitatório das empresas de publicidade. Que tal?

E, claro: deixar o passado no passado. Ou não é esta a gestão que usa as palavras “futuro” e “trabalho” em seu slogan? Ao entrar no oitavo mês da administração já passou do tempo de partir da teoria para a prática. 

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