Dólar salta 5% em 5 dias e testa os R$ 3,50: o pior já passou?

Para diretor de câmbio da Wagner Investimentos, o dólar deve se estacionar entre R$ 3,45 e R$ 3,25 nos próximos dias, mas Bolsa pode ter espaço para correção até os 57.000 pontos

Notas de reais e dólares norte-americanos em casa de câmbio no Rio de Janeiro. 10/09/2015 REUTERS/Ricardo Moraes
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Notas de reais e dólares norte-americanos em casa de câmbio no Rio de Janeiro. 10/09/2015 REUTERS/Ricardo Moraes dolar (Foto: Leonardo Attuch)

A aversão ao risco não deve deixar o mercado acionário brasileiro na próxima semana, mas uma possível estabilização poderá ser vista no câmbio, após o dólar comercial ter encostado nesta sexta-feira (11) nos R$ 3,50. "O pior momento do juros e dólar já podem ter passado, mas a Bolsa ainda deve sofrer mais um pouco", acredita o diretor de câmbio da Wagner Investimentos, José Faria Júnior. 

No radar dos investidores, a próxima semana não será tão agitada quanto essa, marcada pela inesperada vitória de Donald Trump nos Estados Unidos e uma enxurrada de balanços corporativos no Brasil, com destaque para bancos e Petrobras. Um combo que provocou o aumento da aversão ao riscos nos mercados, levando o Ibovespa para a segunda queda semanal seguida, de volta a região dos 59.000 pontos, e o dólar para alta de 5% na semana

Esse sentimento de aversão ao risco ainda deve tomar conta da mercado na próxima semana, mas na parte de juros e dólar muito provavelmente esse movimento já foi, avalia Faria Júnior. Para ele, a moeda deve se estacionar entre os R$ 3,25 e R$ 3,45 nos próximos dias, enquanto a Bovespa pode ter espaço para correção até os 57.000/58.000 pontos. 

"A Bolsa está sendo o último ativo a sofrer e deve ser o último a se recuperar. Não é para entrar em pânico agora. Não acho que o Brasil ficou tão ruim do dia para noite, mas uma correção mais forte devemos ver, mas isso abrirá também oportunidades", avalia. Segundo ele, uma queda do Ibovespa até os 57.000 pontos não seria nenhuma caos e abriria uma boa oportunidade de compra no mercado. 

Do lado dos juros, ele não vê mais espaço para altas tão fortes quanto as registradas nessa semana: os juros de títulos de 10 anos dos EUA subiram 30 pontos-base desde a eleição de Trump. "Podem subir mais 10 a 15 pontos nos próximos dias, mas 30 pontos em 3 dias é uma alta desordenada. Uma grande parte do movimento dos juros já passou", comenta. 

Os principais eventos da semana
Após turbulência nos mercados, investidores terão dias mais calmos pela frente, por conta de uma agenda econômica e corporativa mais fraca e semana mais curta, com o feriado da Proclamação da República na próxima terça-feira (15), que deixará a Bovespa fechada. 

Do lado corporativo, poucas empresas deixaram para reportar seus números na próxima semana, com destaque para CSN e JBS, na próxima segunda-feira (veja a agenda completa clicando aqui). Já entre os indicadores, destaque para a divulgação do IBC-Br referente ao mês de setembro, considerado uma prévia do PIB brasileiro, na próxima quinta-feira (17). Apesar da queda maior que a esperada do comércio varejista em setembro, a equipe econômica do Bradesco, chefiada por Octavio de Barros, espera elevação na margem de 0,2% do índice no período. "O resultado deverá refletir a alta da produção industrial e, caso se confirme, o indicador acumulará contração de 0,7% no terceiro trimestre, na comparação com os três meses anteriores", comentou o banco. 

Na quarta-feira, o IBGE divulga o resultado da PMS (Pesquisa Mensal de Serviços), também referente a setembro. No mesmo dia, a FGV divulga o IGP-10 de novembro, para o qual o Bradesco espera alta de 0,04%. A agenda doméstica ainda tem na quinta-feira a divulgação dos dados de emprego industrial de outubro pelo sistema Fiesp/Ciesp, e na sexta-feira, do Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), o primeiro indicador de confiança referente a novembro. 

No exterior, os destaques ficam com os resultados da produção industrial, vendas do varejo e investimentos em ativos da China de outubro, na segunda-feira. Para o Bradesco, os dados deverão reforçar a visão de que o crescimento da economia do país segue sustentado no curto prazo, como sugerido pelos índices PMI.

Além disso, o mercado conhecerá também os desempenhos do comércio varejista, da atividade industrial e do índice de preços ao consumidor dos EUA, todos referentes ao mês passado, a serem divulgados na terça, quarta e quinta-feiras, respectivamente. Uma aceleração da inflação no período poderá fortalecer a expectativa de que o Federal Reserve eleve a taxa de juros do país em dezembro.

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